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Deixa com o Beque !!

segunda-feira, dezembro 31, 2001



HAPPY NEW YEAR !!

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:08 AM




Tempo que voa...

Lá se vai o ano, tirando o ruim, foi tudo de bom...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:04 AM




É o ano novo chegando...

FELIZ 2002 !!!!

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:02 AM


A recente proibição de um episódio de “Os Normais” com referências ao sadomasoquismo revela um grande preconceito da sociedade em relação a essa prática. De onde vem o preconceito?

Barbara Reine – Como qualquer tipo de preconceito, há falta de informação sobre o assunto. Todo mundo acha que o sadomasoquismo é uma coisa que se pratica porque um tem prazer em apanhar e o outro tem prazer em bater. Sadomasoquismo é um pouquinho mais que isso aí. Não é só dor e a dor não é [só] física. Ela pode ser psicológica. Existem muito mais pessoas que gostam disso do que se pode imaginar.

Como você define o sadomasoquismo?

Barbara – Sadomasoquismo é um jogo que tem de ser baseado na tríade “são, seguro e consensual”. O que se pratica é são, prazeroso, você tem de saber o que está fazendo. Não é só entrar no sex-shop, comprar um chicotinho e bater no primeiro que estiver a fim de apanhar. Não é por aí. É uma arte, uma prática extremamente erótica e prazerosa, se for baseada nessa tríade.

Embora exista muito preconceito em torno do assunto, o sadomasoquismo é muito difundido, em termos iconográficos. Você acha que a imagem corresponde à prática?

Barbara – Eu não sei o que a Globo ia mostrar. Eu já vi (o sadomasoquismo ser representado) na mídia a Tiazinha, que tem atitudes que são absolutamente s&m – é assim que os adeptos abreviam o sadomasoquismo – e outras que não têm nada a ver com o papel que ela fazia. A comunidade séria s&m ria muito. Jamais uma dominadora rebolaria a bunda para quem quer que seja. É uma questão de postura. Alguém que leva s&m a sério tem uma postura. A Tiazinha veio na televisão, num horário super cedo, mas despertou e mostrou para muita gente que essa fantasia existe sim, ela é real. Um homem abaixo de uma mulher dominadora é uma fantasia de 80% dos homens. Caracterizaram a Tiazinha muito bem, mas a essência do sadomasoquismo não foi passada.

Existem muitos sadomasoquistas por aí?

Barbara – Ah, nossa! Muitos. Gente de mídia, gente da Globo mesmo. Tem muita, muita, muita gente que gosta disso. É um jogo mental. S&M é um jogo mental.

Vamos dizer que eu goste que a minha parceira me algeme, mas não gosto que ela me bata...

Barbara – Sem problemas. Tudo é feito dentro dos limites. Pode ser que você goste da situação da imobilização, da situação psicológica de estar à mercê de outra pessoa. Só que a pessoa que está jogando isso tem de saber do seu limite e tem de saber que seu negócio não é dor. Existem duas categorias de escravos: existem aqueles que gostam da dor física e tem o escravo submisso, que é aquele que simplesmente tem o prazer de servir, de obedecer. Então esse não vai precisar de uma punição nunca porque ele obedece às ordens. Tem uma lógica. Quando você gosta de dor, numa cena s&m, você vai fazer algumas malcriações, você vai encenar algum charminho para receber uma punição porque isso te dá prazer. E o teu parceiro está sabendo disso.

O fato de eu gostar de ser algemada me faz uma sadomasoquista?

Barbara – Você tem uma fantasia sadomasoquista. Se você vai ser uma sadomasoquista daí pra frente, eu não sei. Muita gente desiste. Porque quando você tem essa fantasia, o primeiro pensamento que vem à cabeça é: “puxa, eu não sou normal, eu preciso de um tratamento. Como é que eu posso querer apanhar de alguém e sentir prazer com isso?”

Então o sadomasoquismo é uma opção?

Barbara – Eu não sei se você tem muita opção, não. Acho que a partir do momento que você tem uma fantasia, você vai atrás. Você pode ficar a vida inteira na algema, sem nenhum problema. Mas eu duvido muito que você fique. (Sadomasoquismo) é um jogo mental em que os limites vão se expandindo.

É um caminho sem volta?

Barbara – Na hora que você vê que isso é um jogo muito bom, que dá prazer... é um caminho sem volta. Eu nunca conheci alguém que tivesse a fantasia, que tivesse aprendido, que tivesse nesse jogo e voltasse atrás. Alguém que fizesse um jogo bem-feito, seguro, consensual. Porque fazer por curiosidade, você realmente está arriscando não gostar.

Como você se descobriu sadomasoquista?

Barbara – Pelas fantasias. Um dia eu estava com meu companheiro e disse “vou te contar uma coisa”. Eu já tinha contado para meus dois maridos anteriores e eles disseram “você é louca, o que se passa pela sua cabeça?” E aí eu contei para ele e bateu com a fantasia dele.

E qual era sua fantasia?

Barbara – Era exatamente isso que você falou. Era ser algemada, estar à mercê do outro. E a fantasia dele era colocar alguém à mercê dele. E bateu. Nós aprendemos juntos e estamos [nessa] há doze anos.

Foi nessa época que o grupo SoMos foi fundado?

Barbara – Não, o SoMos surgiu dois anos depois. Eu comecei a procurar pessoas para conversar sobre isso. É muito gratificante você encontrar pessoas que têm as mesmas fantasias, você ter com quem conversar, onde tirar dúvidas. Eu tive a sorte de encontrar uma pessoa muito experiente, que já praticava isso há mais de 20 anos: o co-fundador desse grupo, já falecido, o Cosam, que é um personagem do livro de Wilma Azevedo. Tive a sorte de encontrar alguém que pudesse me orientar muito, tirar todas as minhas dúvidas. O SoMos existe há nove anos e é um grupo muito grande e organizado. Organizamos dias de estudo, debates e workshops. Se você tem fantasias, não [pode] botar os pés pelas mãos, sair por aí fazendo qualquer coisa. Tem de ver o que pode ser feito e o que não pode ser feito.

O grupo tem um site na Internet, não é mesmo?

Barbara – Sim. A Internet facilitou muita coisa. Era muito difícil [no início dos anos90] ter um grupo s&m. Era muito escondido. Hoje você vê salas [de bate-papo] abertas sobre o tema. E tem mais que abrir mesmo. É uma opção, um prazer. Ninguém está fazendo mal para ninguém. [O sadomasoquismo] nos EUA e na Europa é muito comum. Tem clubes, bares especializados. Não sei se você sabe, mas eu sou dona de um bar temático, o Vahala. É o primeiro do Brasil, e acho que da América Latina, exclusivamente para fetichistas e SMs.

E como funciona o bar?

Barbara – O bar é um ponto de encontro para qualquer grupo, para qualquer fetichista. O objetivo é ter um lugar onde você possa falar de algema, de chicote, de escravidão e de submissão à vontade, sem nenhum tipo e julgamento. A gente se veste normal, a gente não tem cabelo azul, a gente comemora Natal, Páscoa, como todo mundo. Nós somos pessoas absolutamente comuns e normais. O bom da fantasia é você manter os pés no chão. Não é porque eu sou rainha que eu vou achar que todo mundo na rua tem de me fazer reverência e atender minhas ordens. Isso é uma insanidade.

Mas a partir do momento em que você abre um bar temático você não está trazendo suas fantasias para o seu dia-a-dia?

Barbara – O bar é uma experiência, é poder contar, achar pessoas iguais, é poder falar: “Você gosta de algemas? Então vem cá, você não está sozinha, tem mais gente que gosta. Isso é normal. Você tem que exercer a tua sexualidaede sim”.

Um sadomasoquista reconhece outro na rua? Existe uma espécie de radar, como têm os gays?

Barbara – Ainda não. Existem agora alguns sinais como, por exemplo, um tipo específico de coleira. Existe também um símbolo mundial de BDSM – Bondage & Discipline; Dominance & Submission; Sadism & Masochism, ou seja, resumindo, tudo o que é possível fazer em sexo. Mas eu não sei se o sadomasoquista no Brasil hoje está fim de ser reconhecido. Eu não tenho problema nenhum. Eu tenho duas filhas (de 19 e 23 anos) que sabem o que eu faço, sabem que eu gosto disso, que tenho um grupo. Elas sabem também que no mundo existem gays, lésbicas, judeus e negros. E eu nunca as criei para ter preconceito de coisa nenhuma. Eu nunca tive dentro de casa nenhum tipo de repressão. Eu luto contra o preconceito em cima do s&m há nove anos, então fica difícil eu ter em casa a hipocrisia de esconder alguma coisa. Mas eu não posso falar sobre isso com minha mãe ou com meu patrão. Se eu falar sobre isso com meu patrão no dia seguinte estou na rua. Ele vai me ver com uma pessoa doente, desequilibrada.

Certa vez o escritor João Silvério Trevisan afirmou em uma entrevista que a única maneira de se acabar com o jogo de poder existente nos relacionamentos é ingressando numa prática sadomasoquista. Você concorda com ele?

Barbara – (Risos) Acho que ele tem razão. Se você olhar o mundo, o mundo é s&m. Sempre tem o lado do poder e sempre existe o que se submete.

Mas você acha que a prática sexual pode resolver problemas decorrentes dessas relações de poder?

Barbara – Acho que sim. No s&m poder e submissão fazem parte do jogo. Faz parte do jogo você entrar em uma cena com o poder ou delegando o poder. Eu vejo executivos de empresas multinacionais, pessoas que têm o poder o tempo inteiro e, na realidade, tudo o que eles querem é ser submissos.

Mas isso é um clichê...

Barbara – Não é sempre que acontece, mas é muito comum. A mesma coisa acontece com mulheres que estão em casa, que tem de fazer a janta (sic!) para o marido e levar a rotina de um casamento normal. A maior fantasia delas é dominar, impor seu poder. E nem ela nem o executivo conseguem realizar essas fantasias no dia-a-dia. Então eu acho que essa intimidade traz seu equilíbrio psicológico.

Um dominador tem sempre vários escravos?

Barbara – Olha, ele tem o direito de ter. Ele só precisa entender porque ele pode ter. Hoje isso é muito confundido com galinhagem. A diferença é que pela filosofia (do sadomasoquismo) você treina escravos para trazer para uma comunidade. Esse sentido no Brasil se perdeu. O problema é que não existe uma cultura de s&m no Brasil. Assim como os Gracie foram lá e aprenderam jiu-jitsu, que é uma coisa milenar, mas trouxeram e fizeram o jiu-jitsu brasileiro, nós precisamos fazer a cultura s&m brasileira.

É comum o dominador ter escravos de ambos os sexos?

Barbara – Um homem heterosexual dominar outro homem hetero não quer dizer que um dos dois seja viado (sic). Mesmo que eles façam sexo. Eu conheço dominadores hetero que dominam homens. E até transam, no sentido de domínio, de se apossar. E o outro está numa posição passiva nessa relação porque é uma obrigação psicológica. Porque não é só o masoquismo físico, existe o masoquismo psicológico. De ter prazer na humilhação. Estou falando de gente casada, de gente heterossexual mesmo, bem resolvida, mas a fantasia é a humilhação de transar com outro homem. Isso é uma coisa raríssima. É muito mais fácil você ver uma mulher dominando outra mulher.

Mas isso não é uma conseqüência do machismo?

Barbara – Com certeza. Porque o domínio não determina sua orientação sexual. Não é porque você está passivo numa cena s&m que você tem de ser homo (e vice-versa). A minha visão é que o domínio, o sentido de dominar é maior que a orientação sexual. É uma filosofia. Eu acho o sadomasoquista o tipo da pessoa muito especial. Ele é mais intenso. Ele tem outro sentido de prazer. Eu sou uma dominadora de mulheres e uma dominadora de homens. Pra mim não importa a minha opção sexual, importa o poder, a prática da dominação. Eu não quero dizer com isso que a dominação seja melhor ou pior que a submissão, porque uma parte não existe sem a outra. Esse negócio de achar que os “escravos” estão numa posição inferior eu não acho legal. Você pode até usar isso no jogo, mas aquela pessoa é um ser humano que tem sentimento, precisa de carinho, afeto, atenção e, acima de tudo, respeito. Este é o s&m que eu pratico.

Como fica a questão do ciúmes? Você me disse que tem vários escravos, mas tem também um parceiro fixo.

Barbara – Tudo numa relação fixa como a minha tem de ser conversado. Eu nunca perdi o foco do meu relacionamento. Ele é o mais importante. Nós somos dois dominadores, é complicado. Quando a gente agrega alguém na nossa relação é pra acrescentar, e não para dividir. Nós temos uma “escrava” em comum. Porque colocamos uma “escrava” em nosso relacionamento? Para dominarmos juntos. Ela está acrescentando na relação. Se houver esse conceito de que uma outra pessoa está acrescentando em uma relação e não dividindo aquela relação, então fica bom para todo mundo, não tem problema nenhum. Tudo que acontece numa relação tem de ser combinado, conversado.

Mas para você entrar num jogo s&m é preciso ter muita coragem, né?

Barbara – É muito perigoso. Se a Internet veio facilitar o contato e o conhecimento de pessoas iguais, trouxe também um perigo enorme. Você não sabe quem está do outro lado do aparelho. Você tem que ter todos os cuidados, ou até mais, porque a sua integridade física está em jogo, sua integridade psicológica está em jogo. Saber o que você tem de fazer com o poder, ter o controle total da situação, até para não extrapolar o limite do outro. Porque o outro pode não ter limite também. E ele quer mais e mais, e você tem que ter o sinal para não chegar numa lesão, não chegar numa coisa mais séria.

Isso exige um conhecimento teórico e prático?

Barbara – Teórico e prático, mas muito mais teórico. Primeiro você tem de saber qual é a sua fantasia, onde você se encaixa. Hoje, até por causa da Internet, você tem a facilidade de encontrar outros sites, em outras línguas, que podem esclarecer muitas coisas. Ou podem confundir também, porque tem muita porcaria na Internet. Mas você pelo menos tem isso. Dez anos atrás não tinha. O acesso à informação era muito difícil.

Como é que fazia?

Barbara – Se você soubesse alguma língua, importava um livro de fora. Porque aqui nunca teve nada nesse sentido. Tem algumas coisas clássicas como a “História de O”, como os livros da Wilma Azevedo. Mas isso não é tudo. Existe uma filosofia maior atrás disso. Que você tem de ler, tem de entender. O grupo faz esse papel. Não gosto de nada virtual, embora tenha um site. Mas nós não nos vendemos a nada virtual, o negócio é olho no olho.

Esta semana eu estava lendo uma entrevista com uma ativista política que foi presa e torturada nos anos 60. Em determinado momento ela responde a uma pergunta do repórter, dizendo que sua relação com o torturador era muito dúbia. Não é a primeira vez que eu ouço alguém que foi torturado falar algo assim. Isso tem algo a ver com fantasias sadomasoquistas que as pessoas carregam consigo?

Barbara – Tem pessoas que já falaram pra mim que descobriram que são masoquistas num hospital. Não sei qual é o processo, mas de uma certa maneira aquela situação de dor causou uma fantasia. Existem também milhões de pessoas com a fantasia do estupro. Poxa, estupro é uma violência. Uma das maiores que alguém pode sofrer. No entanto, existem fantasias que remetem a isso. Remetem à situação e não à violência. Remetem à situação do sexo sem culpa, será? “Por que eu fui forçada”? A situação de perseguição agrada, a situação de abuso sexual. E a gente não tem outra palavra para definir essa situação que é uma fantasia de uma situação real de estupro, porque (o estupro) é uma violência descabida. E s&m enquanto fantasia não pode ser isso. Ninguém tem a fantasia de apanhar de um malandro no meio da rua, me poupe.

Você acha que quando o funk carioca fala que só um tapinha não dói isso é masoquismo ou é palhaçada?

Barbara – (risos) Puxa vida, quem já não ficou numa relação sexual de quatro e tomou um tapinha na bunda ou teve o cabelo puxado? É uma fantasia absolutamente comum e saudável. Um tapinha não dói se for de acordo com as duas partes. Se alguém estiver batendo e dizendo “não, um tapinha não dói” e eu disser “dói sim e eu não gostei”, tem de parar.

Suzy Capó é jornalista.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:57 AM




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