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Deixa com o Beque !!

sexta-feira, outubro 24, 2003



Você toparia viver 500 anos ... extirpando seus órgãos sexuais??

Sim, querido e humano leitor, você poderia viver 500 anos. É o que dizem os cientistas da Universidade da California, num artigo publicado na revista Science. Mas pra isso, você teria que seguir algumas novas regras biológicas, no caso, permitindo que seus genes e hormônios fossem modificados e seus órgãos sexuais, removidos, exatamente como foi feito com a pequena Caenorhabditis, uma minhoquinha. Foi ela a cobaia que levou os cientistas à descoberta: ao modificar os genes e hormônios da Caernohabditis e remover seus sistemas reprodutores, a minhoquinha passou a ter seu período de vida aumentado em seis vezes, o que equivaleria em termos humanos, a viver 500 anos.
Juro que não é piada, mas as pesquisas que obtiveram as vidas mais longas foram as dos cientistas americanos e portugueses.
Descoberta revolucionária, não?


(Querido Leitor - Rossana Hermann)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 1:18 PM




AMIGOS

Amigos são flores em estradas de chão
São encruzilhadas em caminhos de coração
Amigos são amigos até a morte separá-los
Amigos são amigos até a vida superá-los

São atores vivendo com graça seus papéis
Na desgraça e nas dores são fiéis
Amigos são telefones públicos na rua
São os pelos púbicos da mulher nua

São os apelos quando a luta continua
Amigos sempre pedem favor
São os sócios do amor

Amigos , amigos , negócios repartem
São os sócios da paz
Amigos partem rápido demais

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:59 PM




Outras reuniões

Muito já se escreveu sobre combinação de vinho e comida, o que os espanhóis chamam convenientemente de maridaje . A palavra dá idéia de casamento, mas numa forma familiar e direta. O propósito da harmonização não é apenas eliminar o estresse de restaurante, aquela dúvida incômoda na hora de escolher o vinho. O que está por trás desses ?casamentos? é a essência mesma do prazer de tomar vinhos, porque a maioria deles foi feita para acompanhar comida, para fazer parte de uma cultura de mesa.

Mas as idéias aceitas há 20 anos mudaram, acompanhando a variação dos gostos. As entradas, os pratos, os ingredientes e os temperos de hoje não são os de ontem. Quem hoje pede um paillard com fettucine? Ou um steak au poivre flambé? Ou um coquetel de camarão, com molho rosa e tudo?

Da mesma forma, a função dos vinhos à mesa mudou e ganhou importância. Eles são parte da gastronomia, talvez a principal. Ainda me lembro de famosos restaurantes da Zona Sul com garrafas de uísque no meio da mesa, os convivas baixando rapidamente o nível do contador de doses. São raridade.

Na comida, algumas estrelas do passado saíram de cena. Novos atores vieram. Uma revisão se impõe, sobretudo para acomodar vinhos de uvas há tempos esquecidas e que voltam ao palco. Não se trata apenas de um branco para o peixe e um tinto para a carne, e só. Tem mais.

Os guias modernos consagram alguns princípios e acrescentam variantes. A saber:
Ostras: Carpaccio de carne: Salmão: Saladas:
Massas: De acordo com o molho. De frutos do mar, sauvignon blanc. De tomate e manjericão, o mesmo, podendo ir para um tinto jovem, um barbera ou chianti clássico. De cogumelos, tinto piemontês como dolcetto. Al pesto, barbera ou sauvignon blanc. Molhos cremosos, chardonnay italiano, do Friuli ou Piemonte.

Presuntos italianos ou espanhóis: Pinot grigio ou pinot gris alsaciano vão fazer bonito, mas o branco jovem da denominação friulana Collilo vai compor ainda melhor. Pata negra ou serrano podem se desviar para um tinto criança da Rioja.
Patês e terrines: Risoto de cogumelos (porcini):
E estamos ainda nas estradas. A continuar.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:35 PM




Soul Parsifal
(Renato Russo - Marisa Monte)

Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom

Eu tive o teu sereno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar

Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores

Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração

Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar

Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado

Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim tenho hortelã

Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã

Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p’rá mim


PS: não sei como essa música passou assim tão desapercebida. Com certeza é a melhor música do melancólico álbum TEMPESTADE...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:04 PM




A hidrovia do rio São Francisco começa logo após a represa de Três Marias, na cidade mineira de Pirapora. Mas o rio está assoriado e seco. Em junho de 2001 nenhuma das chatas (embarcação fluvial de carga) fazia o percurso de 1,3mil km entre Pirapora e Juazeiro. Devido ao baixo nível das águas, uma viagem de quase uma semana, descendo o curso do rio, levaria quase um mês ou mais. Além disso, a falta de cheias é a maior reclamação dos pescadores. Com as construções das barragens, a vazão do rio foi regularizada. Até antes da crise energética, 90% da energia consumida no Nordeste era produzida apenas apartir do complexo de hidroelétricas da CHESF instaladas no Velho Chico. Produzir energia é prioridade total. A vazão do rio depende então dos humores dentro dos gabinetes da CHESF e do Governo Federal em se manter os níveis mínimos dos reservatórios. A irrigação, o transporte fluvial, a água para o consumo humano, a pesca, a cultura dos ribeirinhos são relegados a um segundo plano frente a importância estratégica de uma perversa política de produção de energia muito mal planejada.

(Fotogarrafa - MarceloMin)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:45 AM




quinta-feira, outubro 23, 2003


*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:20 PM




Em Busca de Curitiba Perdida
Reunião de textos variados de Dalton Trevisan.

Espaço Arte em Cena (R. do Rosário, 76, Largo da Ordem), tel.: 225-5577. Direção e interpretação de Jul Leardini e Lalá Scremin. Às quartas-feiras, às 21h. R$10, R$8 (bônus) e R$5 (estudantes, classe artística e maiores de 65 anos). Até 10 de dezembro.



Dalton Trevisan (O Vampiro de Curitiba)

"O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei,
adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que,
cedo ou tarde, acaba acontecendo."



"Não vou responder às perguntas simplesmente porque não posso, é verdade; sou arredio, ai de mim! Incurávelmente tímido (um pouco menos com as loiras oxigenadas!)." Já se escreveu e se comprovou que os demais vampiros não podem encarar, sem pânico, um crucifixo. Ou réstias de alho, água corrente cristalina... Dalton não pode ver um jornalista. Vendo, foge, literalmente foge, apavorado. Suas raras fotos surgidas na imprensa foram feitas às escondidas, como a que utilizamos para ilustrar esta página.

Nascido em 14 de junho de 1925, o curitibano Dalton Jérson Trevisan sempre foi enigmático. Antes de chegar ao grande público, quando ainda era estudante de Direito, costumava lançar seus contos em modestíssimos folhetos. Em 1945 estreou-se com um livro de qualidade incomum, Serenata ao Luar, e, no ano seguinte, publicou Sete Anos de Pastor. Dalton renega os dois. Declara não possuir um exemplar sequer dos livros e "felizmente já esqueci aquela barbaridade".

Entre 1946 e 1948, editou a revista Joaquim, "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil". A publicação tornou-se porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais. Reunia ensaios assinados por Antonio Cândido, Mario de Andrade e Otto Maria Carpeaux e poemas até então inéditos, como O caso do vestido, de Carlos Drummond de Andrade. Além disso, trazia traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre e Gide e era ilustrada por artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres.

Já nessa época, Trevisan era avesso a fotografias e jamais dava entrevistas. Em 1959, lançou o livro Novelas Nada Exemplares - que reunia uma produção de duas décadas e recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro - e conquistou o grande público. Acresce informar que o escritor, arisco, águia, esquivo, não foi buscar o prêmio, enviando representante. Escreveu, entre outros, Cemitério de elefantes, também ganhador do Jabuti e do Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores, Noites de Amor em Granada e Morte na praça, que recebeu o Prêmio Luís Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil. Guerra conjugal, um de seus livros, foi transformado em filme em 1975. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas: espanhol, inglês, alemão, italiano, polonês e sueco.

Dedicando-se exclusivamente ao conto (só teve um romance publicado: A Polaquinha), Dalton Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Mas Trevisan continua recusando a fama. Cria uma atmosfera de suspense em torno de seu nome que o transforma num enigmático personagem. Não cede o número do telefone, assina apenas "D. Trevis" e não recebe visitas - nem mesmo de artistas consagrados. Enclausura-se em casa de tal forma que mereceu o apelido de O Vampiro de Curitiba, título de um de seus livros.

"O "Nélsinho" dos contos originalíssimos e antológicos, é considerado desde há muito "o maior contista moderno do Brasil por três quartos da melhor crítica atuante". Incorrigível arredio, há bem mais de 35 anos, com com um prestígio incomum nas maiores capitais do País. rabalhador incansável, fidelíssimo ao conto, elabora até a exaustão e a economia mais absoluta, formiguinha, chuvinha renitente e criadeira, a ponto de chegar ao tamanho do haicai, Dalton Trevisan insiste ontem, hoje, em Curitiba e trabalhando sobre as gentes curitibanas ("curitibocas", vergasta-as com chibata impiedosa) e prossegue, com independência solene e temperamento singular, na construção e dissecação da supra-realidade de luas, crianças, amantes, velhos, cachorros e vampiros. E polaquinhas, deveras."


*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:18 PM





quarta-feira, outubro 22, 2003



Daryl Hannah naked! Este é o título da Playboy americana que aproveita o filme KILL BILL do Tarantino para faturar umas verdinhas. O ensaio é muito moderado, pelo menos para nós, os ginecologistas informais brasileiros...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:47 PM




Xerox: a vingança dos nerds

Imaginem bolinhas minúsculas como grãos de poeira, brancas de um lado e pretas do outro. Presas entre duas folhas de plástico fininhas, elas flutuam numa suspensão oleosa, e reagem a impulsos elétricos, enviados por um computador, que as fazem girar, expondo ora o lado branco, ora o lado preto. Com isso, formam desenhos na superfície do plástico: tipicamente, letras.

Aí está uma das fórmulas do papel eletrônico, espécie que desafia a criatividade de cientistas nos principais laboratórios de pesquisa tecnológica do mundo, estimula a imaginação de jornalistas e, provavelmente, causa pesadelos aos fabricantes de papel. No famoso Palo Alto Research Center (PARC) ? de onde saiu, a rigor, a computação pessoal como a conhecemos hoje ? ele atende pelo nome de SmartPaper.

A invenção por trás de seu funcionamento, chamada Gyricon, é um dos grandes trunfos da Xerox como geradora de inovações. Como tal, era uma das atrações de um evento que reuniu num hotel em São Francisco, na semana passada, jornalistas do mundo inteiro e cientistas dos principais laboratórios da empresa ? disposta a demonstrar que, apesar das acusações de irregularidades financeiras de três anos atrás, das turbulências administrativas de diversos tipos e dos tempos bicudos na bolsa de valores, continua tinindo quando o assunto é inovação tecnológica.

Para quem gosta de tecnologia e de cientistas inventivos, mas desconfia de contadores e administradores em geral, a inquestionável demonstração de força do ?R&D? (research and development, ou pesquisa e desenvolvimento) da Xerox tem um sabor todo especial. É bom ver que não há mágica financeira capaz de superar, em credibilidade e resultados, um sólido time de cérebros.

Do papel eletrônico às imagens mutantes

O SmartPaper já é uma realidade, mas ainda não para quem espera ler o jornal diário enroladinho num canudo eletrônico. Sua aplicação imediata é em quadros de avisos para corporações, lojas e escolas. Parece uma tela de cristal líquido, mas não é brilhante, pode ser lido de qualquer ângulo e... não é atraente!

? Bom, ninguém vai querer roubar uma tela dessas, vai? ? explica Bob Street, um dos responsáveis pelo seu desenvolvimento. Ele tem razão: por inteligente que seja, o SmartPaper não é um objeto de cobiça. ? Além disso, esse sistema é mais econômico: ao contrário de uma tela convencional, usa energia apenas quando é redesenhado.

A Xerox ou, melhor dizendo, a Gyricon, empresa criada para comercializar a tecnologia, já negocia a sua venda com cadeias de lojas. Quais? Ah, isso ainda é segredo.

Mas o SmartPaper foi apenas uma das estrelas do show, que tinha novidades tão novas que, a rigor, ninguém sabe ainda muito bem para que servem. Por exemplo, algo chamado illuminant multiplexed imaging ou, mais simplesmente, switch-a-view , que permite a impressão de imagens diferentes, uma em cima da outra, visíveis, cada qual, de acordo com a cor da luz ambiente.

Sucesso garantido em camisetas mutantes para festinhas, imagino; ou, como propõe Robert Loce, principal cientista do Wilson Center for Research and Technology (laboratório da Xerox em Webster, Nova York) livros infantis, embalagens, promoções. É uma linda e divertida invenção, e nem por isso menos interessante: afinal, quem diz que todo cientista tem que salvar (ou detonar) o mundo?

O caso desta invenção, aliás, é particularmente curioso. A principal preocupação de quem trabalha com cores é descobrir formas de fazer com que tenham a mesma aparência, independentemente da luz sob a qual são vistas. Pois o switch-a-view nasceu desta preocupação virada pelo avesso: quão diferentes as cores podem ficar sob diferentes luzes?

Um laboratório onde se fez história ? e folclore

O PARC, verdadeiro coração do Vale do Silício, ficou famoso na história da tecnologia não só pelas invenções que saíram de lá como pelas que não saíram: a interface gráfica, o mouse, a Ethernet... a lista é enorme, e o folclore também. A Xerox estava tão entretida no negócio das copiadoras que deixou escapar essas tecnologias preciosas, que fizeram a fortuna de outras empresas.

Mais tarde, escaldada, passou a patentear tudo e, eventualmente, a criar pequenas empresas separadas para comercialização das tecnologias que não estavam diretamente vinculadas às suas atividades principais.

De qualquer forma, o fato é que essa história, contada e recontada milhões de vezes, deu ao PARC ? e, por tabela, à Xerox ? uma imagem que vale mais do que se pode imaginar. O laboratório continua sendo uma instituição quase sagrada, um centro de excelência, um ninho de cientistas extraordinários que chegaram ao Olimpo da sua profissão.

Por causa de uma série de problemas que, há três anos, quase levam a Xerox à falência, ele deixou de ser propriedade exclusiva da empresa. Hoje chama-se Palo Alto Research Center Incorporated, e desenvolve pesquisa também para outros clientes. Tem 250 empregados, dos quais 180 pesquisadores, divididos em seis laboratórios que tocam, simultaneamente, uns 50 projetos.

Um JPEG com todo o jeito do gato de Alice

Desses projetos, um dos mais compreensíveis à primeira vista é o que envolve uma nova forma de JPEG, o clássico padrão de formato de compressão de imagens que todos conhecemos tão bem.

O JPEG 2000, que corrige falhas do JPEG e trabalha com um nível de compressão consideravelmente maior, é desenvolvido pelo Joint Photographic Experts Group (daí seu nome), e é a base para o projeto da Xerox, que o associa à sua tecnologia MRC ( Mixed Raster Content ). Essa mistura permite que diversos elementos de uma mesma imagem web sejam tratados de forma diferente, o que agiliza enormemente a vida do ser conectado. Dependendo de onde clique, o usuário poderá ver áreas mais ou menos definidas, de acordo com seu interesse.

Por exemplo: ele quer encontrar, num mapa do Brasil, informações sobre o Rio. Hoje, sua única opção é ver o mapa num thumbnail e, depois, esperar que carregue todo ? para, então, ir ao ponto que procura. Com a nova tecnologia, em vez de lutar com a visualização de miniaturas e o tempo de download, bastará a ele clicar, numa imagem em tamanho grande, sobre a área onde se encontra o Rio. Somente ela será carregada em alta resolução.

Robert Buckley, especialista em arquivos digitais de imagens, resume a questão de forma simplíssima:

? É como o gato da Alice, ficando em foco na árvore.


(Cora Ronái - O Globo, Informática etc., 20.10.2003)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 2:29 PM










O PACTO DA VIDA

O mesmo noticiário que relata o recorde de grãos, informa (em outro bloco) que a taxa de mortalidade infantil por desnutrição aumenta a cada dia. Paradoxo ou incompetência ? O país campeão de produção de alimentos é também o campeão da fome. Não nos espantemos, pois estamos falando do país de maior potencial hidroviário, e que realiza seus transportes em rodovias caquéticas e perigosas. Estamos falando do país que possui uma enorme receita previdenciária e uma quantidade enorme de faculdades de medicina, porém um sistema de saúde falido e corrompido. Estamos falando do país onde há abundância de recursos naturais e matéria prima necessária à construção de casas populares, e no entanto grande parte da população vive em condições precárias e até subumanas . Estamos falando do país onde diariamente menores de rua são exterminados, operários perdem a vida em acidentes de trabalho, inocentes são assassinados em assaltos ou seqüestros, pessoas são contaminadas com vírus, bactérias e vibriões... Estamos falando do país chamado Brasil.
Os noticiários relatam e relatam. E este assunto de tal gravidade vai caindo na rotina ao ponto de nos acostumarmos(!) com ele, ou ainda fingimos (ou fugimos), a fim de esquecê-lo para não enfrentá-lo. Entretanto, mais e mais pessoas estão morrendo a cada minuto de nosso esquecimento. E estão morrendo devido à falta de providências imediatas. Estão morrendo porque estamos parados. Parados nas enormes filas, nas aplicações financeiras, nas obras inacabadas, nas disputas políticas, nos repasses de verbas, nas sucessões sem sucesso. Estamos parados frente aos noticiários, que relatam e relatam.
Caracterizaria-se crime premeditado uma análise nas estatísticas. Se os números prevêem que amanhã crianças morrerão de fome, acontecerão acidentes com mortes nas péssimas estradas, pessoas com doenças graves não serão atendidas nos hospitais, cairão barracos devido à chuva, nordestinos tombarão devido à seca, menores de rua serão assassinados... E nós estamos conscientes disso tudo, então estamos sendo coniventes, cúmplices dessas mortes.
É claro que todos pensam que este é um problema de responsabilidade do governo. Mas se pensarmos desta maneira não chegaremos nunca a uma solução. E não basta apenas sermos esperançosos, temos que agir, e agir agora, pois minutos custam vidas. Precisamos, primeiramente, tomar consciência da gravidade do fato, as mortes devido à desfaçatez estão em ascensão, enquanto se discute problemas rotineiros, tais como inflação, corrupção, educação, transporte, juros financeiros e tantos outros. Mas como comparar vidas humanas com tais abstrações ? Como podemos buscar harmonia ou bem-estar social, pensar em modernidade ou crescimento, sabendo que esses números cruéis não param de crescer ? O direito à vida não seria prioritário ?
Quantas vidas em troca de verbas de publicidade ? Quantas vidas em troca da construção de viadutos ? Quantas vidas em troca de mordomias ainda existentes ? Quantas vidas ...
Devemos então esquecer, pelo menos por um período, as disputas políticas e integrar forças em torno da análise desses números. Precisamos de um plano emergencial que una governo, meios de comunicação, comunidade e sociedade científica (empresarial e/ou universitária). Atacaremos os problemas em frentes de trabalho divididas em áreas específicas. Os coordenadores de cada uma destas frentes serão pessoas técnicas (neutras politicamente) e altamente qualificadas dentro de sua área científica. Produziremos relatórios confiáveis com o apoio da comunidade envolvida em cada área, que também se responsabilizará pela fiscalização de cronogramas, repasses de verbas (vindas do governo e empresas privadas) e planilhas de custos. A mão-de-obra básica necessária a cada projeto deverá vir prioritariamente desta comunidade. A evolução dos resultados será acompanhada pelos meios de comunicação, que cederão espaços para divulgação e críticas construtivas dos resultados obtidos e promoverão os projetos na mídia destacando seus patrocinadores (empresas privadas).
Para isso, todos devem doar um pouco de si e participar mais. Afinal, não podemos nos esquecer que também fazemos parte do universo dos números probabilísticos. Afinal, nós queremos ver o país progredir de verdade, queremos mostrar nossa potencialidade e criatividade. E acima de tudo, queremos viver. Viver dignamente.
Após eliminarmos a "morte fácil", poderemos estender a idéia destas frentes, a outras áreas, não tão prioritárias no momento, mas importantes para a evolução do país. É lógico que alcançaremos mais facilmente o tão sonhado primeiro mundo, com o povo sadio e educado, política e culturalmente informado. E assim, quem sabe, acabaremos com os vergonhosos obeliscos nacionais : a pirâmide das castas e a esfinge da miséria .

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:52 AM




Me colaram no tempo, me puseram uma alma viva e um corpo desconjuntado.
Estou limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.
Me vejo numa nebulosa, rodando sou um fluído, depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregaram numa cruz, numa única vida.
Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.
Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem nem o mal.
Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamento,
não acredito em nenhuma técnica.
Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim
Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações...
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.
Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noite, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção
o mundo vai mudar a cara, a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.

Andarei no ar.
Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.
Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens "práticos". ..
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito.
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.
Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive, vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria, estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre em transformação.

(Mapa - Murilo Mendes)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:43 AM


segunda-feira, outubro 20, 2003




Tudo sobre
todas as drogas - até a ayuasca (santo daime) está lá...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:23 PM




*Publicado por Dhuvi-Luvio 6:29 PM


RÉ MAIOR

os políticos :


atores legítimos, reatores atômicos
agentes secretos, reagentes químicos
visões tóricas, revisões e retóricas
frações múltiplas, refrações contínuas
colhem votos, recolhem impostos
formam novos, reformam velhos
citam adversários, recitam discursos
lincham minorias, relincham depois
partem antes, repartem tudo
querem mais, requerem poderes
metem a mão, remetem sorrisos
provam da sopa, reprovam projetos
tiram proveito, retiram importâncias
vertem quantias, revertem situações
levam vantagem, relevam resultados
tornam a fazer, retornam mais ricos
voltam sempre, revoltam o povo
traem o povo, retraem o corpo



e o povo:

no mar a remar
sem recheio, cheio de dor ao redor
ainda manso na ilusão do remanso
sem ação ou reação
sem canto ou recanto
sem banho o rebanho de feição triste
refeição de vento fresco e refresco de água
cinto apertado, recinto apertado
andando lento no relento
sem jeito, o rejeito da sociedade
ainda que bento, o rebento não suporta
melando mais o chão, remelando
catando papel no lixo, recatando
clamando por justiça, reclamando
parando nas vitrines, reparando
lutando pelos direitos, relutando
bolando seus planos, rebolando
pulsando os nervos, repulsando
tratando da vida, retratando
velando os filhos, revelando
negando o destino, renegando
tendo que sofrer retendo energias
sente que o fim é recente
pois nunca cessa a recessão


e eles:

portanto armas, reportando
manejando drogas, remanejando gente
regente do morro
por entre dutos e redutos
atrás de presas nas represas
aviões que pousam e logo repousam
cobram cursos, recobram recursos
pressão constante, repressão
ferindo e referindo a recompensa:
na fome o crime compensa ?

*Publicado por Dhuvi-Luvio 6:04 PM





Não sai do player:

01) River of Tears - Eric Clapton
02) Year of the cat - Al Stewart
03) Good Vibrations - Beach Boys
04) Jokerman - Bob Dylan
05) The Long and Winding Road - George Michael
06) Celluloid Heroes - The Kinks
07) Stairway to Heaven - Stanley Jordan
08) Sitting on the dock of the bay - Otis Redding
09) It's a miracle - Roger Waters
10) Just like Heaven - The Cure

11) In My Chair - Status Quo
12) Going to California - Led Zeppelin
13) Old man - Neil Young
14) Poles Apart - Pink Floyd
15) Only the Lonely - Roy Orbison
16) Debora - T. Rex
17) Homburg - Procol Harum
18) Sweet Home Alabama - Lynyrd Skynyrd
19) Parisienne Walkways - Gary Moore
20) Sexual Heating - Marvin Gaye

21) Down Under - Men at Work
22) My Kinf of Lady - Supertramp
23) Silver and Gold - U2
24) Wiser - Buffalo Tom
25) Bohemain Rhapsody - Queen
26) Heard It Through Grapevine - Marvin Gaye
27) Love Theme - Vangelis
28) Water of Love - Dire Straits
29) Steel Wheels - Rolling Stones
30) Need Your Love So Bad - Fleetwood Mac

*Publicado por Dhuvi-Luvio 5:11 PM






Arte da Palavra - Entrevista sensorial com Bukowski

AP – Comecemos com Bogart. Então ele estava certo e o mundo está sempre duas doses abaixo?

Bukowski: Sim, isso é verdade. Mas todo homem come o pão que o diabo amassou. Só que eu, nesse terreno, sempre levei três copos de vantagem.

AP – Um pouco de história. Você trabalhou como carteiro durante 14 anos, viveu em lugares sórdidos, como consegui escapar vivo disso?

Bukowski: 14 anos no mesmo trabalho, as horas se arrastando feito bosta mole, e a cara de todo mundo se reduzindo a uma massa disforme, matraqueando, rindo sem motivo nenhum. Mas eu sempre soube que divertimento e perigo dificilmente passam margarina na torrada ou alimentam um gato.

AP – Parece que você sempre procurou se isolar, a companhia dos outros sempre foi um saco, uma estúpida comédia barata?

Bukowski: Eu não precisava contemplar aquela gigantesca demonstração de desperdício da humanidade, empanturrada lado a lado, soltando piadas, resmungando coisas sobre sexo e comentando resultados de testes com rãs. Não precisava vê-los andando ou se espreguiçando pra lá e pra cá com seus corpos horríveis e vidas vendidas – sem olhos, sem vozes, nem nada, e sem nem saber disso – somente a merda do desperdício, a nodoa em cima da cruz. Além do mais nunca fui uma boa companhia. Não gosto de conversar. Não quero trocar idéias – ou almas. Sou apenas um bloco de pedra para mim mesmo. Quero ficar dentro do bloco, sem ser perturbado. Foi assim desde o começo. Resisti a meus pais, resisti à escola e depois resisti a torna-me um cidadão decente. Certo, sei que preciso de alguém que tire essa tristeza de mim . preciso de alguém que diga, eu compreendo, garoto, agora não se aflija e morra. Mas qualquer um que pudesse me agüentar tinha muito perdão em sua alma.

AP – É verdade: você sempre foi um estrangeiro. Nunca foi ligado a política, nem tomou uma posição contra ou a favor de nenhum governo. Política é realmente o fim?

Bukowski: Nunca tive o menor interesse por onde vai a coisa. Só sei que tem gente demais com medo. Mas existem bandidos e mocinhos? Quem sempre diga a verdade, quem nunca minta? Bons ou maus governos? Não, existem apenas governos ruins e outros ainda piores. A diferença entre democracia e ditadura é que, numa, primeiro a gente vota e depois cumpre ordens, ao passo que na outra não é preciso perder tempo com eleições. Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso,
Deus Poderoso, o que mais agora? Mas no final das contas você anda centímetro por centímetro e tenta entender o todo.


AP – Hoje há esta perdição coletiva. Um desespero branco, asséptico. Mas ninguém assume a própria perda. Todos estão cheios de Eus, personalíssimos. Não há um que não se acredite único e, no entanto, só se vê fantasmas por todos os lados.

Bukowski: Congelam-se dentro de si mesmos, se enganam, fingindo que estão vivos. É bem possível que uma pessoa passe uma vida inteira de erros constantes numa espécie de estado de torpor e horror. Vocês já viram estes rostos, eu já vi o meu.


AP: O Baudrillard tem uma frase que consideramos lapidar: “O mundo é uma armadilha que funciona perfeitamente”. Você concorda?

Bukowski: Existem milhares de armadilhas na vida e a maioria de nós cai em muitas. À medida que vivemos, caímos e somos destroçados por várias armadilhas. Ninguém escapa delas. Alguns até mesmo convivem com elas. A idéia é se dar conta de que uma armadilha é uma armadilha. Se você está numa e não se dá conta, você está fodido. A idéia, no entanto, é ficar fora de quantas for possível. Fazer isso te ajuda a ficar tão vivo quanto possível, até você morrer. Isso porque você sabe que, de qualquer maneira, eles o matarão porque você simplesmente ainda não morreu.

AP – De fato, hoje o mundo é dos heróis, dos fashions, dos campeões em tudo. Já não é mais nem narcisismo, é puro fascismo. Ninguém admite a derrota, a falta, o simples humano. Que jogo sujo é esse? Há como fugir disso?

Bukowski: Não há fuga, ação ou falta de ação. Temos apenas que nos considerar como uma derrota: qualquer lance no tabuleiro leva a um cheque-mate. No entanto acho que a multidão, aquela multidão, a Humanidade, que sempre foi difícil pra mim, aquela multidão está ganhando, afinal.

AP – Há esse universo globalizado, informatizado e performático. O mundo da informação. Um autismo teleguiado, um acúmulo de palavras vazias, cabeças com cérebros vitaminados e merda escorrendo dos ouvidos. Será que chegamos finalmente à sabedoria?

Bukowski: O conhecimento que não se realiza é pior que a ausência total de conhecimento. Porque se você esta chutando e a coisa não funciona você pode dizer apenas, merda, os deuses estão contra mim. Mas se você sabe e a coisa não dá em nada você se adentra no sótão de sua mente e passa a percorrer para cima e para baixo obscuros corredores e a imaginar. Isso não é nada saudável, acaba resultando em noites desagradáveis, muita bebida e na máquina de triturar.

AP – O que vemos é que ao lado de uma violência estúpida (violência em todos os sentidos: social, econômica, afetiva, sexual, etc, etc...) há essa passividade, esse conformismo classe média, a vida apodrecendo lentamente em torpe água morna, por que?

Bukowski: Nós somos fisgados, esbofeteados e cortados em pedacinhos estupidamente. Tão estupidamente que alguns de nós acabam finalmente amando nossos tormentadores porque eles estão para nos atormentar de acordo com linhas lógicas de tortura. E isto parece assim com o razoável, porque não há nada melhor pintando. Tem que estar certo porque é tudo que existe. O que acontece é que a maioria das pessoas fica paralisada de medo. Elas têm tanto medo do fracasso que acabam fracassando. Estão condicionadas demais,
acostumadas demais que digam o que devem fazer. Começa com a família, passa pela escola e entra no mundo dos negócios. As pessoas não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família. Suas mentes estão cheias de algodão. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.


AP – E essa necessidade de comunicação, essa sociabilidade elevada a sua potência máxima. Precisamos estar em contato, nos lugares, nunca mais sozinhos. Essa violência do convívio, a solidariedade transformada em marketing publicitário, essa dependência infantil não é um inferno, visto que os chatos, os prepotentes e toda essa corja de gente cinza é a maioria?

Bukowski: Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? Parece que seu ato único é a Violência. São bons nisso. Realmente florescem. Flores de merda, emporcalhando nossa chance. O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acessas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza. Eles estão mortos mas de uma maneira que tinha mais sentido do que eu.

AP – Mas de repente a luz do dia se apaga e vem a noite, e aí?

Bukowski: A noite ficou mais fácil pra mim, era só uma questão de beber bastante, rápido e com freqüência. Além do mais não havia mais nada que eu pudesse fazer além de incomodar ou dormir.

AP – Então você ali na piscina de hidromassagem com seu gatinho de estimação no trampolim, bebendo a velha e boa vodca 7, o velho Buk na mansão, o que você pensava nestes momentos?

Bukowski: Minhas feridas estavam cicatrizando. Podia agüentar um pouco de sombra. Imagine se eu pudesse pular abismos para sempre. Talvez depois de um descanso eu pudesse me jogar outra vez da beirada. Talvez. Eu pensava: dê um tempo. Tente se sentir melhor. O mundo inteiro é um saco de merdas se rasgando. Não posso salvá-lo. Sei que nos movemos em direção à miragem, nossas vidas são desperdiçadas, como as de todo mundo. Eu sabia que nove décimos de mim já havia morrido, mas eu guardava o décimo restante como uma arma.

AP – Mas enquanto vivo qual era o seu principal objetivo?

Bukowski: Toda minha vida foi uma questão de lutar por uma simples hora para fazer o que eu queria. Mas sempre tinha alguma coisa atrapalhando a minha chegada a mim mesmo. Mas eu me permitia apreciar isso, a manipular a coisa a meu favor porque eu tinha febre da faca amolada, dos céus azuis e profundos.

AP – Mas pra você o que era afinal escrever?

Bukowski: Escrever era estranho. Eu precisava escrever, era como uma doença, uma droga, uma forte compulsão, mas não me agradava pensar me mim mesmo como um escritor. Talvez tivesse conhecido escritores demais. Eles levavam mais tempo falando mal uns dos outros do que fazendo seu trabalho. Eram nervosos, fofoqueiros, velhas solteironas; viviam se lamentando, dando facadas, inchados de vaidade. Esses eram os nossos criadores? Sempre foram assim? Provavelmente sim. Talvez escrever fosse uma forma de lamento. Alguns simplesmente se lamentavam melhor que os outros, e eu era apenas um velho sujo com algumas historias sujas.

AP – E o que você diria para os novos autores, para esses que se apaixonaram por essa puta, a Literatura?

Bukowski: Você só tem uma chance, que logo desaparece. Só sobram páginas, e você pode queimá-las, se quiser. Mas não há nada que impeça um homem de escrever, a não ser que ele impeça a si mesmo. Não há perdas em escrever; faz seus dedos do pé rirem enquanto você dorme; faz você andar como um tigre; ilumina seus olhos e coloca você frente a frente com a Morte. Você vai morrer como um lutador, será reverenciado no inferno. A sorte da palavra. Vá com ela, mande-a. Seja o Palhaço nas Trevas. É engraçado. É engraçado. Mais uma linha...

*Respostas retiradas dos seguintes livros de Bukowski: O Capitão Saiu Para O Almoço E Os Marinheiros Tomaram Conta Do Navio, Hollywood, Crônica De Um Louco Amor, Notas de Um Velho Safado

*Publicado por Dhuvi-Luvio 2:13 PM






- Vá tomar no cu !
- Vai no seu, que é mais azul...
- Isso não é resposta, viro o cu que eu "ranco" bosta !
- Bosta cê não "ranca", senta aqui na minha alavanca...
- Alavanca é que cê senta, senta aqui e se arrebenta !
- Arrebentar é que se vai, sentando na pica do meu pai...
- O seu pai é um frozô que senta na pica do meu vô!
- O seu vô tem pica mole e meu pau ele engole...
- Meu avô nada chupa e não dá pra ver seu pau sem lupa!
- Meu pau é enorme e depois que viu sua mãe nem dorme...
- Quem não dorme é a tua, aquela puta !
- Puta é a tua que dá o cu e nem sua...
- Quem sua é rapadura, sua mãe de perna aberta e meu pai de pica dura!
- O seu pai diz que é rocha mas no fundo é um brocha...
- Brocha é o seu, que inclusive já me deu!
- Se deu foi o pinguelo no seu cu amarelo...
- Ué ?! Não era azul ??

*Publicado por Dhuvi-Luvio 1:55 PM




"Butches não são mulheres que desejariam ser homens. Butches são mulheres que se sentem mais à vontade com comportamentos tidos como masculinos, mas que na verdade podem ser praticados tanto por homens quanto por mulheres. Butches, verdade seja dita, sequer são sempre lésbicas, visto que muitas mulheres heteros preferem esse mesmo jeito simples e direto de se expressar e vestir.

Femmes, do mesmo modo não são mulheres à espera de um homem pra lhes mostrar as maravilhas da vida heterossexual. Femmes, são mulheres que se sentem atraídas por mulheres, e ao mesmo tempo gostam do papel tradicionalmente feminino criado pela sociedade. Muitas vezes, Femmes se sentem atraídas por Butches e vice-versa, mas simplesmente porque esta parece ser uma boa combinação de energias, e não porque desejem imitar modelos heterossexuais.

São dois tipos culturais que, é claro, não existem em estado puro, sendo cada mulher uma mistura das duas tendências de comportamento e aparência, ou nenhuma delas, como a androginia vem demonstrando."

do livro Sexo Entre Mulheres - Um Guia Irreverente, de Susie Bright (Edições GLS)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:50 PM


domingo, outubro 19, 2003



De repente tudo aconteceu ao mesmo tempo. Estou administrando tudo ao mesmo tempo, áreas diferentes e pessoas completamente distintas. Estou dormindo muito pouco ultimamente devido a isso. Quando me deito demoro muito a relaxar, a cabeça a mil insiste em ficar ligada e processando as idéias ou então tentado solucionar alguns problemas. Sei que começo a ficar estressado quando passo a ter palpitações, parece que o coração bate descompassado ou até se esquece de bater em determinada hora. Por que é que a gente não tem controle sobre ele ?
Às vezes penso se vale mesmo a pena fazer o que faço. Talvez eu precisasse tirar umas férias longas, viajar. Talvez eu necessite dar mais atenção às pessoas que eu gosto e que estão longe de mim, minha família principalmente. Deixar um pouco de lado esta “responsabilidade adulta” que me consome e extravasar as meninices que estão sobrando. Aliás, do que mesmo estou correndo atrás ? Paz, amor, sorte, amizades, saúde, trabalho, felicidade, dinheiro ? Ou tudo isso junto ? Na verdade acho mesmo que busco é a compreensão. Por que procuro sempre ter a solução, a resposta, mesmo que não seja a verdade derradeira, a transitória por hora satisfaz. Na verdade acho mesmo que penso mais que o necessário e que peco por isso. Se talvez deixasse me levar mais, fosse mais espontâneo e dinâmico não sofreria tanto com tantas maquinações.
Não me sentirei idiota por gostar de ver o pôr-do-sol e em certas horas fechar os olhos para sentir a força da vida e abrir os braços para o vento.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:57 PM






Você gostaria de ler todas as falas de um determinado filme ??

Aqui você encontra milhares de scripts de filmes famosos...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:12 PM





She (Ela)
Elvis Costello

She may be the face I can't forget
Ela pode ser o rosto que não esqueço
A trace of pleasure or regret
Um toque de prazer ou tristeza
May be my treasure
Pode ser meu tesouro
Or the price I have to pay
Ou o preço a pagar

She may be the song the summer sings
Ela pode ser a canção do verão
May be the chill the autumn brings
Pode ser o frescor do outono
May be a hundred different things
Pode ser centenas de coisas
Whithin the measure of the day
Em um mesmo dia

She may be the beauty or the beast
Ela pode ser a bela ou a fera
May be the famine or the feast
A fartura ou a fome
May turn each day
Pode tornar cada dia
Into a heaven or a hell
Um paraíso ou um inferno

She may be the mirror of my dreams
Ela pode ser o espelho do meu sonho
A smile reflected in a stream
Um sorriso refletido em um riacho
She may not be what
Ela pode não ser
She may seem inside her shell
O que aparenta dentro de si

She who always seems so haapy in a crowd
Ela que sempre parece tão feliz na multidão
Whose eyes can be so private and so proud
Seus olhos podem ser tão reservados ou orgulhosos
No one's allowed to see them when they cry
Ninguém pode vê-los chorar

She may be the love that cannot hope to last
Ela pode ser o amor que não foi feito para durar
May come to me from shadows of the past
Pode vir a mim das sombras do passado
That I remember till the day I die
E vou me lembrar até o fim da minha vida

She may be the reason I survive
Ela pode ser a razão para que eu sobreviva
The way and wherefore I'm alive
O caminho e o motivo da minha vida
The one I'll care for through the rough and ready years
De quem vou cuidar nos bons momentos e nos difíceis
Me, I'll take her laughter and her tears
E eu, eu acolherei seu riso e suas lágrimas
And make them all my souvenirs
E guardarei tudo em minha memória
For where she goes I've got to be
Porque tenho de estar onde quer que ela vá
The meaning of my life is
O sentido da minha vida é
She, she
Ela, ela
She
Ela

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:03 PM








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