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Deixa com o Beque !!

sexta-feira, outubro 31, 2003



Não há nada pior que fazer o número dois em lugar público, ou ainda, em lugares com movimento daqueles que o espaço do vaso sanitário é minúsculo, sujo e para piorar, sem qualquer tipo de isolamento acústico. O melhor banheiro do mundo é aquele todo limpo e cheiroso revestido por chumbo, de modo que a gente possa fazer o barulho que quiser, à vontade, sem que ninguém ouça e nos deixe constrangido com a situação. Não há liberdade maior que uma cagada despreocupada, aquela sem tempo para terminar, sem ninguém na fila para cheirar nosso produto, uma leitura de um artigo interessante, um papel suave (sem perfume) e uma chuveirada em seguida que nos torna prontos para a vida...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 2:44 PM




Grandes Novidades dos Jornais de Hoje

- Trabalhadores rurais bloqueiam estradas.
- Brasil paga parcela ao FMI...
- Vítimas em tiroteio na Avenida Brasil (que nome mais apropriado).
- Bagda pões Estados Unidos em Alerta
- Luana Piovani diz que fuma maconha...
- Microsoft vai comprar o site de busca Google !!
- Tarifas de ônibus sobem amanhã...
- PM é baleado dentro de cabine.
- Temporal deixa famílias desabrigadas.


Já pensou se eu não leio o jornal hoje ?
Como é que eu ficaria sabendo dessas notícias ??

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:55 AM




Isso aqui é muito doido !!

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:45 AM





- Deve chover novamente no dia de finados, muitas lágrimas.
- O Extra disse que não há mais TVs nos estoques.
- A porra da tecla "Delete" teima em não funcionar no Blogger...
- Cento e vinte emails e apenas cinco não-spam!
- The Final Cut do Pink Floyd é muito deprê.
- Não gostei do móvel da sala, terei que engoli-lo?
- O peido já está seco: a diarréia foi embora, enfim...
- Será que essa tristeza toda tem motivo ?
- Os ônibus da via expressa fazem muito barulho de manhã.
- Estou revendo o conceito de amizades, seleção natural.
- Saudades do meu Kenko-Patto de Ipanema...
- O porteiro teima sempre em me dar a mão no cumprimento.
- Não sei ainda como vou trazer a moto...
- Uma lista enorme na oração noturna, anti-insônia.
- Minha geração está mesmo batendo cabeças.
- Meu primeiro beijo não sabe que estou aqui...
- Quatro estações em um mesmo dia, inclusive chuva.
- A fada está no cio esperando um para esperar outros.
- Ainda existem pessoas boas - boas mesmo !!
- Os filhos-das-putas proliferam...
- O cara que cortou meu cabelo tem um blog, quem não tem?
- Não compre o Zire 71 achando que vem uma Máquina Digital e MP3 incorporados...
- Cartuchos só recondicionado - funciona mesmo.
- Nunca duvide de suas percepções, saiba traduzir os sinais.
- Já passou da hora de você enxergar o óbvio.
- A Carolina ri quando vê meu Pai...
- Mouse ótico veio para ficar - nada de bolinhas sujas...
- Agora a porra do dólar não sobe !!
- Disse-me que viria para dormir...
- Vai um cachorro quente com duas vinas ??

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:10 AM







Novo processador opera à velocidade da luz !

O Enlight, processador eletro-ótico desenvolvido por uma emergente empresa de Israel, com a colaboração de renomados cientistas de várias universidades, é capaz de realizar oito trilhões de cálculos por segundo, mil vezes mais do que um feito de silício.

A Lenslet, companhia que debutou nos meios high-tech de Israel em 1999, desenvolveu, com a ajuda de renomados professores de várias universidades, um processador eletro-ótico, com sinal digital, que permitirá aos computadores realizar algumas operações à velocidade da luz. Segundo a Lenslet, o invento propiciará mais segurança às redes de aeroportos e instalações militares e ampliará os horizontes da multimídia.

“Trata-se de uma avanço de 20 anos no campo do hardware”, afirmou Aviram Sariel, presidente da companhia, à agência de notícias Reuters.

O novo processador é capaz de realizar oito trilhões de cálculos por segundo, mil vezes mais do que um feito de silício, o que o torna ideal para a operação de radares de alta sensibilidade, compressão de vídeos, serviços de meteorologia e no uso da guerra eletrônica.

“A ótica é o futuro de todos os dispositivos que operam com dados eletrônicos”, disse na ocasião Asaf Schlezinger, diretor da equipe que construiu o Enlight.


(Fonte - Estadão)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:33 AM




Vem cá, cintura fina
cintura de pilão
cintura de menina
Vem cá, meu coração

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:25 AM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:19 AM



quinta-feira, outubro 30, 2003



Um Cruzamento
(Franz Kafka)

Tenho um animal singular, metade gatinho, metade cordeiro. Herdei-o com uma das propriedades de meu pai. Contudo, apenas se desenvolveu ao meu tempo, pois anteriormente possuía mais de cordeiro que de gatinho. Agora participa das duas naturezas igualmente. Do gato, a cabeça e as unhas; do cordeiro, o tamanho e a figura; de ambos, os olhos, selvagens e acesos; o pêlo, suave e bem assentado; os movimentos, já saltitantes, já lânguidos. Ao sol, sobre o parapeito da janela, faz-se uma bola e ronroneia. No prado corre como
enlouquecido e mal se pode alcançá-lo. Foge dos gatos e pretende atacar os cordeiros. Em noites de lua são as telhas o seu caminho preferido. Não pode miar e tem repugnância pelos ratos. É capaz de passar horas inteiras à espreita diante do galinheiro, mas até agora não aproveitou nunca a ocasião de matar. Alimento-o com leite doce; é o que melhor lhe assenta. Bebe-o sorvendo-o a longos tragos por entre seus dentes ferozes. Naturalmente, é um espetáculo completo para as crianças. No domingo pela manhã é hora de visitas. Ponho o animalzinho sobre os meus joelhos e as crianças de toda a vizinhança detêm-se ao meu redor. Então são formuladas as perguntas mais maravilhosas, essas que nenhum ser humano pode responder: por que existe apenas um animal como este, por que eu o tenho, exatamente eu, se antes dele existiu outro animal assim e como será depois de morto, se se sente muito só, por que não dá cria, como se
chama, etc. Não me dou ao trabalho de responder, e contento-me em mostrar, sem mais explicações, aquilo que possuo. Ás vêzes, as crianças vêm com gatos e uma vez, até trouxeram dois cordeiros. Mas contrariamente às suas esperanças, não se produziram cenas de reconhecimento. Os animais olhavam-se tranqüilamente com olhos animais e consideraram, sem dúvida, reciprocamente, sua existência como uma obra divina. Sobre os meus joelhos, este animal não conhece nem o medo nem desejos de perseguir ninguém. Acocorado contra mim é como se sente melhor. Está apegado à família que o criou. Isto não pode ser considerado, por certo, como uma demonstração de fidelidade extraordinária, porém como o reto instinto de um animal que na terra tem inumeráveis parentes políticos, mas talvez nem um só consangüíneo, e para o qual, por isso, lhe parece sagrada a proteção que encontrou entre nós. Às vezes me faz rir quando me fareja, desliza-se por entre minhas pernas, e não há modo de afastá-lo de mim. Não satisfeito em ser gato e cordeiro, quer ser quase cachorro. Aconteceu uma vez que, como pode ocorrer a qualquer um, não encontrava solução para meus problemas de negócios e para tudo o que se relacionasse com eles, e pensava abandonar tudo; em tal estado de espírito enterrei-me na cadeira de palha, com o animal sobre os joelhos, e ao olhar para baixo percebi casualmente que dos longuíssimos pelos de sua barba gotejavam lágrimas. Eram minhas? Eram
suas? Tinha também aquele gato com alma de cordeiro ambição humana? Não herdei grande coisa do meu pai, mas esta herança é digna de ser mostrada. Tem ambas as inquietações em si, a do gato e a do cordeiro, por diversas que sejam uma e outra. Por isso a pele lhe é estreita. Às vezes salta sobre o assento, ao meu lado, apóia-se com as patas dianteiras em meu ombro e põe o focinho junto ao meu ouvido. É como se me dissesse algo e então se inclina para diante e olha-me cara a cara para observar a impressão que a comunicação me fêz. E para ser complacente com ele, faço como se tivesse compreendido algo e confirmo com a cabeça. Então salta ao solo e começa a
bailar ao meu redor. Talvez o facão de açougueiro fosse uma libertação para este animal, mas como o recebi em herança devo evitar isso. Por isso terá de esperar que o alento lhe falte por si, apesar de que, às vezes, me olhe com olhos humanamente compreensivos que incitam a agir compreensivamente.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 8:34 PM




O príncipe, contudo, deve ser lento no crer e no agir, não se alarmar por si mesmo e proceder por forma
equilibrada, com prudência e humanidade, buscando evitar que a excessiva confiança o torne incauto e a
demasiada desconfiança o faça intolerável.
Nasce daí uma questão: se é melhor ser amado que temido ou o contrário. A resposta é de que seria
necessário ser uma coisa e outra; mas, como é difícil reuni-las, em tendo que faltar uma das duas é muito
mais seguro ser temido do que amado. Isso porque dos homens pode-se dizer, geralmente, que são
ingratos, volúveis, simuladores, tementes do perigo, ambiciosos de ganho; e, enquanto lhes fizeres bem,
são todos teus, oferecem-te o próprio sangue, os bens, a vida, os filhos, desde que, como se disse acima, a
necessidade esteja longe de ti; quando esta se avizinha, porém, revoltam-se. E o príncipe que confiou
inteiramente em suas palavras, encontrando-se destituído de outros meios de defesa, está perdido: as
amizades que se adquirem por dinheiro, e não pela grandeza e nobreza de alma, são compradas mas com
elas não se pode contar e, no momento oportuno, não se torna possível utilizá-las. E os homens têm
menos escrúpulo em ofender a alguém que se faça amar do que a quem se faça temer, posto que a
amizade é mantida por um vínculo de obrigação que, por serem os homens maus, é quebrado em cada
oportunidade que a eles convenha; mas o temor é mantido pelo receio de castigo que jamais se abandona.
Deve o príncipe, não obstante, fazer-se temer de forma que, se não conquistar o amor, fuja ao ódio,
mesmo porque podem muito bem coexistir o ser temido e o não ser odiado: isso conseguirá sempre que
se abstenha de tomar os bens e as mulheres de seus cidadãos e de seus súditos e, em se lhe tornando
necessário derramar o sangue de alguém, faça-o quando existir conveniente justificativa e causa
manifesta. Deve, sobretudo, abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente
a morte do pai do que a perda do patrimônio. Além disso, nunca faltam motivos para justificar as
expropriações, e aquele que começa a viver de rapinagem sempre encontra razões para apossar-se dos
bens alheios, ao passo que as razões para o derramamento de sangue são mais raras e esgotam-se mais
depressa.
Mas quando o príncipe está à frente de seus exércitos e tem sob seu comando uma multidão de soldados,
então é de todo necessário não se importar com a fama de cruel, eis que, sem ela, jamais se conservará
exército unido e disposto a alguma empresa. Dentre as admiráveis ações de Aníbal, menciona-se esta:
tendo um exército imenso, constituído de homens de inúmeras raças, conduzido a batalhar em terras
alheias, nunca surgiu qualquer dissensão entre eles ou contra o príncipe, tanto na má como na boa
fortuna. Isso não pode resultar de outra coisa senão daquela sua desumana crueldade que, aliada às suas
infinitas virtudes, o tornou sempre venerado e terrível no conceito de seus soldados; sem aquela
crueldade, as virtudes não lhe teriam bastado para surtir tal efeito e, todavia, escritores nisto pouco
ponderados, admiram, de um lado, essa sua atuação e, de outro, condenam a principal causa da mesma.
Para prova de que, realmente, as outras suas virtudes não seriam bastantes, pode-se considerar o caso de
Cipião, homem dos mais notáveis não somente nos seus tempos mas também na memória de todos os
fatos conhecidos, cujos exércitos se revoltaram na Espanha em conseqüência de sua excessiva piedade,
pois que havia concedido aos seus soldados mais liberdades do que convinha à disciplina militar. Tal fato
foi-lhe censurado no Senado por Fábio Máximo, o qual chamou-o de corruptor da milícia romana. Os
locrenses, tendo sido arruinados e abatidos por um legado de Cipião, não foram por ele vingados, nem a
insolência daquele legado foi reprimida, resultando tudo isso de sua natureza fácil; tanto assim que,
querendo alguém desculpá-lo perante o Senado, disse haver muitos homens que melhor sabiam não errar
do que corrigir os erros. Essa sua natureza teria com o tempo sacrificado a fama e a glória de Cipião,
tivesse ele perseverado no comando; mas, vivendo sob o governo do Senado, esta sua prejudicial
qualidade não só desapareceu, como lhe resultou em glória.
Concluo, pois, voltando à questão de ser temido e amado, que um príncipe sábio, amando os homens
como a eles agrada e sendo por eles temido como deseja, deve apoiar-se naquilo que é seu e não no que é
dos outros; deve apenas empenhar-se em fugir ao ódio, como foi dito.



O Príncipe - Nicolau Maquiavel - Cap. XVII
DA CRUELDADE E DA PIEDADE; SE É MELHOR SER AMADO QUE TEMIDO, OU ANTES TEMIDO QUE AMADO
(DE CRUDELITATE ET PIETATE; ET AN SIT MELIUS AMARI QUAM TIMERI, VEL E CONTRA)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 8:29 PM







LIVROS GRÁTIS !

É necessário fazer um pequeno cadastro - basta fornecer seu email - vale a pena...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 6:08 PM




Ouça Chico Buarque lendo um trecho de seu novo livro Budapeste

*Publicado por Dhuvi-Luvio 5:05 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:54 PM




Às vezes nossa mamãe natureza também tem
seus dias de TPM...



Mas é claro, não é por isso que vamos esquecer de suas belas obras...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:45 PM




quarta-feira, outubro 29, 2003

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:51 PM








terça-feira, outubro 28, 2003



*Publicado por Dhuvi-Luvio 2:20 PM




Jornal O Dia - 28/10/03

O Rio de Janeiro é o estado com maior número de homens sofrendo de disfunção erétil completa: 3%. O dado faz parte do mais completo estudo já realizado sobre a vida sexual do brasileiro. No total, 49% dos fluminenses admitiram ter algum grau de impotência. A média nacional é 45,1%. A pesquisa foi apresentada ontem pela psiquiatra Carmita Abdo, durante o 29º Congresso Brasileiro de Urologia, em Foz do Iguaçu (PR).

Foram entrevistadas 7.103 participantes, com idades entre 18 a 80 anos, em 13 estados, sendo 54,6% homens e 45,4%, mulheres. O questionário, com 87 perguntas, foi respondido de forma anônima. A pesquisa foi feita pelo Projeto Sexualidade (ProSex) da Faculdade de Medicina da USP em parceria com o laboratório Lilly.

O Rio também responde pelo maior número de homens com disfunção erétil moderada: 17,2%. Segundo a psiquiatra, quanto maior a saúde e a qualidade de vida do homem, menor o grau de disfunção sexual.
- O desemprego quase dobra o índice de disfunção erétil completa: de 1,1% sobe para 1,8% quando comparamos homens com e sem emprego, observa.

A idade também é um fator preponderante. De cada 100 homens com 40 anos, um tem disfunção erétil completa. Quando a idade é 70 anos, são 12 para cada grupo de 100 pessoas. O estudo também avaliou os homens que têm medo de perder a ereção e de não satisfazer a parceira: no Rio são 31,3% e 55,2%, respectivamente.

Outro dado que foi liderado pelo estado do Rio é o de mulheres infiéis. Nada menos do que 34,8% das mulheres admitiram ter relacionamento fora do casamento. Entre os fluminenses o índice é maior, 56,7%, mas o recorde brasileiro ficou com os cearenses: 61% disseram ser infiéis.

PS: Tô fora !!

*Publicado por Dhuvi-Luvio 2:15 PM



*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:21 AM




A Casa dos 40
(Luis Fernando Veríssimo)

Quem já entrou na casa dos 40 sabe do que eu estou falando. Eu entrei na casa dos 40. A porta se fechou atrás de mim. As tábuas rangiam sob os meus pés. No jardim havia duas estátuas de anão com a pintura descascada e o ar de quem sabia alguma coisa que eu não sabia. Mas a única coisa que podia ter dito - "Não entre." - não foi dita. E aqui estou eu cercado de fantasmas, suando frio e me apalpando.

As pessoas invariavelmente começam a se apalpar na casa dos 40. Para verem se é verdade e que dorzinha é aquela.

Dos fundos sombrios da casa dos 40 vem um murmúrio que a princípio eu não entendo. Parece dizer:

- Tcheca, tcheca...

O que será "tcheca"? Tento fugir mas não encontro mais o trinco da porta. Pelas vidraças empoeiradas mal consigo ver a casa dos 30, do outro lado da rua. Não adianta gritar. Lá está havendo uma festa. Ninguém me ouviria.

E pensar que eu passei pela casa dos 30 sem aproveitar nada. Olhava para a casa dos 40 e a achava atraente. Me imaginava nela, grisalho, sábio e respeitável. Não sabia que seria assim por dentro. Perdi a festa na casa dos 30 e agora não posso voltar.

- Tcheca, tcheca...

Arrasto os pés pelo chão. No escuro, ouço um bater de asas. Morcegos! E os passos miúdos de ratos assustados. A escassa luz que consegue ultrapassar as vidraças mal ilumina as teias despencadas que oscilam lentamente no meio da sala, como véus sepulcrais.

- Tcheca, tcheca...

De repente, o relógio da parede começa a bater. Doze vezes. Depois da última badalada abre-se uma portinha e sai um cuco desanimado. Com olheiras. O cuco olha para todos os lados, suspira fundo e volta para dentro do relógio. A saída! Onde fica a saída?

- Tcheca, tcheca...

Surge o mordomo. Uma cruza de Vincent Price com uma hiena. Sugere que eu sente e fique à vontade, os próximos 10 anos passarão num instante. Tento dizer que desisti da idéia, quero voltar, esqueci meu leva-tudo na casa dos 30, a saída! O mordomo sorri e diz que só há três saídas na casa dos 40. Para cima, para baixo ou para a casa ao lado.

- A casa ao lado?

- A casa dos 50. Você não gostaria de lá.

Perco a paciência.

- Mas afinal, esse "tcheca, tcheca", o que é?

- É a primeira recomendação que fazemos a todos que entram na casa dos 40. Check up geral. Só apalpar não adianta nada.


Texto extraído do livro "Sexo na Cabeça", L&PM Editores - Porto Alegre, 1982, pág. 153

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:53 AM



segunda-feira, outubro 27, 2003



DEFECTIVOS


Águo meus imensos árduos com essências livres
Remedeio o espontâneo da solidão que redime
Ceio as formas adaptadas que pronunciam
Sacio todas as sobrevivências cruas

Eu me entretenho com belos bizarros
Onde meço os espantos e peço desculpas as dimensões
E talvez equivalha dizer que peco quando ajo
Que requeiro o esplendor errado

Caibo nas levezas das nebulosas
Embora saiba das chuvas esquecidas
Compito com fantasmas de vento
E sumo quando agrido ou firo algum

Divirjo das impaciências oportunistas
Expilo pétalas quando tusso
Pulo frases extravasadas com veludo
Advirto o adversário quando luto

Exponho o que jamais imaginaria
Faço dos hábitos mudanças imperceptíveis
Sei da vantagem da servidão eterna
E posso ter o truque do escuro nas mãos

Cubro minhas analogias com extravagâncias
Pareço ser humilde mas sou herói de espírito
Trago a vida em breves exageros de versos
E vejo que eu não soube acontecer


*Publicado por Dhuvi-Luvio 5:20 PM





Padrão

Os padrões superficiais da nossa vida exibem variações coloridas e intermináveis; porém, se olharmos abaixo da superfície, além da especificidade do momento, veremos que os padrões subjacentes raramente mudam. Repetimos as mesmas ações, as mesmas palavras, os mesmos ciclos de excitação e depressão, as mesmas renovações de esperança, os mesmos períodos de ansiedade. Tentamos manter um senso de propósito, mas será que estamos seguros da nossa direção? É esta a vida que visualizávamos quando éramos jovens e cheios de esperança? É desta maneira que queremos viver o resto da nossa vida?

Por que não tirar proveito de cada oportunidade para descobrir o real valor da nossa vida? Na pior das hipóteses, esta busca marcaria um rompimento com velhos padrões, e acenderia o nosso interesse pela vida; na melhor delas, poderíamos encontrar um tesouro de sabedoria e maravilhas que nunca havíamos suspeitado que existisse. Como seres humanos, temos a capacidade de nos livrar de padrões que nos limitam, e descobrir a chave para uma felicidade verdadeira e duradoura. Quando olharmos de perto a nossa vida e tivermos coragem de seguir as nossas perguntas aonde quer que elas possam nos levar, seremos capazes de encontrar o conhecimento de que precisamos.


Tarthang Tulku, in Conhecimento da Liberdade: Tempo de Mudança; tradução Manoel Vidal; ed. Dharma, Instituto Nyingma do Brasil, Palas Athena. São Paulo, 1990 - Circulando.com


*Publicado por Dhuvi-Luvio 5:05 PM




Quer dizer então que Paulo Coelho assumiu o plágio da música do Elvis em "Eu nasci há 10 mil anos atrás" feita junto com Raulzito

Compare aqui as duas letras:


I WAS BORN ABOUT TEN THOUSAND YEARS AGO
(tradicional, arranjo: Elvis Presley)

I was born about ten thousand years ago,
And there's nothin' in the world that I don't know;
I saw Peter, Paul and Moses,
Playing ring-around-the-roses
And I'll whup the guy what says it isn't so.

I saw Satan when he looked the garden o'er,
Then saw Adam and Eve driven from the door,
And behind the bushes peeping,
Saw the apple they were eating,,
And I'll swear that I'm the guy what ate the core.

I saw Jonah when he'mbarked within the whale,
And thought that he'd never live to tell the tale.
But old Jonah'd eaten garlic
And he gave the whale a colic,
So he coughed him up and let him out o' jail.

I saw Samson when he laid the village cold,
And saw Daniel tame the lions in the hold,
And helped build the tower of Babel,
Up as high as they were able,
And there's lots of other things I haven't told.

I taught Solomon his little A-B-C's
I helped Brigham Young to make Limburger cheese,
And while sailing down the bay
With Methuselah one day,
I saved his flowing whiskers from the breeze.

Queen Elizabeth, she fell in love with me.
We were married in Milwaukee secretly,
But I schemed around and shook her,
And went off with General Hooker
To shoot mosquitoes down in Tennessee.

I remember when the country had a king.
I saw Cleopatra pawn her wedding ring,
And I saw the flags a-flyin'
When George Washington stopped lyin',
On the night when Patti first began to sing.

I was there to help old Noah load the ark,
And I sheared off Samson's hair just for a lark.
So I upped and ran away
To the good ol' USA,
Where I raced old Pocahontas in the dark.

In the boudoir with dear Empress Josephine,
When Napoleon was nowhere to be seen,
It was then I played my part
So much better than Bonaparte;
Well, I guess you know exactly what I mean.

I was in the garden when Eve made love to me;
I sent Cleopatra back to Antony;
I was there with Pompadour
When she said, "Toujours l'amour."
I took Julia's clothes off on the balcony.

I designed the pyramids along the Nile;
I was friendly with the Pharoahs for awhile,
'Til they caught me playin' rummy
With an old Egyptian mummy;
That's why the Sphinx has got that famous smile.

I taught William the Conqueror how to fight,
And I snuffed out Florence Nightingale's light;
And Robin Hood was carryin' on,
For I was with Maid Marian on
The bed that I hid under for the night.

You can stop me if you've heard this one before
'Bout the apple too delicious to ignore
Adam said to Eve: "We're cheating,
if that apple we start eating!
I came by and I'm the guy what ate the core

Old King Solomon was very wise, they claim
With a thousand wives, he knew them all by name
That's because I used to list 'em -
With my alphabetic system
In my little book - each time he took a dame

Isabella sent Columbus with a crew
On a little trip across the ocean blue
But to me she said: "Hey, fella,
you stay here with Isabella"
I'm the stowaway of fourteen ninety two

I was on the shore with Washington, I swear
When he tossed a coin across the Delaware
But nobody has believed it,
when I tell 'em I retrieved it
And I bought me boots, they cost a buck a pair




Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás
(Raul Seixas/Paulo Coelho)

Eu nasci há dez mil anos atrás
E não tem nada neste mundo que eu não sabia demais
Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
E as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados
Vi Moisé cruzar o Mar Vermelho
Maomé cair na terra de joelhos
E Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Vi as velas de acenderem para o Papa
Babilônia ser riscada do mapa
Conde Drácula sugando sangue novo e se escondendo atrás
da capa
Vi a arca de Noé cruzar os mares
Salomão cantar seus Salmos pelos ares
Vi zumbi fugir com os negros pra floresta, pro quilombo dos palmares
Vi o sangue que corria da montanha
Quando Hitler chamou a Alemanha
E o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Li os símbolos sagrados de umbanda
Fui criança pra poder dançar ciranda
Quando todos praguejavam contra o frio fiz a cama da varanda
Tava junto com os macacos na caverna
Bebi vinho com as mulheres na taberna
Quando a pedra despencou da ribanceira eu também quebrei a
perna
Fui testemunha do amor de Rapunzel
Vi a estrela de David brilhar no céu
E pra aquele que provar que eu estou mentindo
Pra este eu tiro o meu chapéu.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:59 PM




Mauricio de Sousa planeja finalmente dar banho no Cascão


O cartunista Mauricio de Sousa está pensando em finalmente dar um banho no Cascão no ano que vem, quando seus personagens participarão de programa educacional.
A revelação foi feita pelo próprio artista, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em que respondeu perguntas de ouvintes e internautas.
Mauricio de Sousa está em Londres, onde veio participar de eventos ligados à embaixada brasileira. Os personagens da Turma da Mônica foram escolhidos para uma campanha promovendo o Brasil no site da embaixada.

BBC Brasil - A sua empresa está fazendo a campanha da promoção do Brasil aos turistas estrangeiros no site da embaixada brasileira no Reino Unido. Qual é a imagem do Brasil que essa campanha tenta mostrar para atrair o público estrangeiro?
Mauricio de Sousa - Nós criamos um veículo espacial para a turminha toda percorrer o Nordeste brasileiro e mostrar as praias, os costumes, as cidades a um simples clique do internauta. E a procura tem sido muito boa. Certamente, vamos estender esse serviço a outras embaixadas brasileiras pelo mundo.

BBC Brasil - Qual a imagem que o europeu tem da Turma da Mônica?
Sousa - Os personagens já são conhecidos em alguns países, até fora da Europa. E, para minha surpresa e alegria, a criançada do mundo inteiro recebe a Turma da Mônica do mesmo jeito. A Turma da Mônica não tem fronteiras.

BBC Brasil - Nós recebemos muitas mensagens de internautas brasileiros que gostariam de ter acesso às revistas publicadas no exterior. Por exemplo, a internauta Patrícia, de Melbourne, na Austrália, diz que as filhas são fãs dos personagens, mas não há no país esse tipo de publicação para crianças. E ela quer saber se as revistas são publicadas em outras línguas e em outros países.
Sousa - Sim. Perto da Austrália, o país mais próximo é a Indonésia. Nós estamos publicando em javanês três revistas, Mônica, Cebolinha e Chico Bento, com um certo sucesso.

BBC Brasil - A Indonésia é um país muçulmano. Que tipo de história a sua empresa evita publicar lá?
Sousa - Por incrível que pareça, só houve dois casos de censura. Uma vez foi quando o Chico Bento dá uma bicotinha na Rosinha e eles cobriram o beijo com um coraçãozinho preto. O outro momento foi quando a turma do Chico Bento está nadando no rio, todos peladinhos. Na Indonésia, eles apagaram umas partezinhas lá.

BBC Brasil - E como são reproduzidos os "erros" de fala do Cebolinha e do Chico Bento em outras línguas?
Sousa - Todo país tem a sua população dos campos, além de crianças que trocam letras na primeira infância. Então, vamos pesquisando. Agora mesmo cheguei de Portugal, onde estava discutindo como seria o sotaque do Chico Bento lá, e eles mesmos sugeriram o alentejano. Na Grécia, é do pessoal das montanhas. Da Indonésia, acho que é de uma ilha distante.

BBC Brasil - E já há publicação na língua inglesa?
Sousa - Ainda não. Eu quero ver se no ano que vem entramos aqui no Reino Unido.

BBC Brasil - Sílvia Cileni, de Munique, na Alemanha, diz que se identifica muito com a Magali e pergunta se a revista da personagem será lançada lá.
Sousa - Já publicamos as revistas Mônica e Cebolinha lá, mas, por causa dos desenhos animados, nós perdemos mercado. Então eu aprendi a fazer desenho animado, estamos produzindo para TV e cinema, e estamos nos preparando para reconquistar os mercados que perdemos, principalmente no norte da Europa.

BBC Brasil - Esse tema do desenho animado é justamente a pergunta de outros três internautas: Gilberto da Silva, de São Bernardo do Campo (SP), Luís Carlos Pedroso Lacerda, de Porto Alegre (RS) e João Luiz Serpa Seraine, de Brasília (DF). Todos eles querem saber por que o senhor não faz mais desenhos animados para competir com os japoneses e americanos, que, segundo eles, são muito violentos.
Sousa - (Risos). São sim, eu também acho. Mas não faço mais porque é muito caro. Para fazer só para o Brasil, não compensaria. Agora estamos abrindo para o mercado internacional, rateando os custos. Também estamos produzindo uma série educacional, mais ou menos como o Vila Sésamo, em 60 programas de meia hora para a televisão. O presidente Lula já manifestou seu interesse de que isso saia logo e vá para a África e para o resto da América Latina. A partir de março ou abril, esses programas vão estar circulando por aí.

BBC Brasil - Hoje em dia, o seu trabalho é mais de empreendedor ou é mais de criação artística?
Sousa - Todas as histórias que são escritas eu leio e faço uma avaliação. Uma parte do meu dia é de criação. Outra parte é cuidar dos negócios. Também me dedico ao Instituto Cultural da Turma da Mônica, que produz campanhas ligadas a saúde, meio ambiente e educação. Trabalhamos com a Organização Panamericana de Saúde, o Banco Mundial e outros. Agora mesmo estamos com um projeto do ônibus-biblioteca, em conjunto com a empresa Itapemirim, que vai levar até lugares remotos do Brasil livros, computadores e outros equipamentos para crianças que nunca viram isso na vida.

BBC Brasil - Rosa Matsushita, de São Paulo (SP), escreveu para dizer que é diretora de uma entidade assistencial pequena, mas com necessidades enormes, segundo ela. Ela pergunta por que o seu trabalho só é direcionado para as grandes organizações beneficentes e não às menores?
Sousa - Desculpe, ela sabe só das grandes. As pequenas também existem, nós procuramos atender na medida do possível. Nosso serviço é realizado facilmente, pois temos muito material pronto, coisas de arquivo que podem servir a entidades como a da Rosa. Pode nos escrever que nós vamos atender com prazer.

BBC Brasil - O senhor visitou recentemente algumas tribos indígenas no Acre. É verdade que há novos personagens indígenas a caminho?
Sousa - Estamos estudando tribos não só do Acre. Do Pará também. A ideia é criar uma nova linha de personagens, chamada Os Amazônicos. Não serão só indiozinhos, mas também os filhos das populações ribeirinhas, os filhos dos seringueiros... Também vão aparecer na Turma da Mônica uma menininha cega e um menino de cadeira de rodas.

BBC Brasil - Muitos dos nossos internautas estão curiosos sobre a intimidade de cada personagem. Uma pergunta vem de dois irmãos: Nino e Geórgia Cirenza, de 5 e 2 anos, que querem saber se o Cascão nunca vai tomar banho...
Sousa - Grande pergunta! Você sabe que eu tenho pensado em seriamente. De vez em quando eu falo: 'acho que vou dar banho no Cascão' e muitos leitores são contra. Mas veja bem: no ano que vem, esses personagens vão entrar em um programa educacional. Como é que eu vou explicar para o público que um menino de seus 7 anos vai para a escola sem tomar banho ou que a mãe dele consinta que ele vá para a escola sem tomar banho? Cá entre nós, eu estou pensando em um planinho, que ninguém nos ouça. Nino, Geórgia, vou contar só para vocês, tá? Pode ser que no ano que vem, a mãe do Cascão o convença a tomar um banho. Só para ir à escola, ou pelo menos de vez em quando. Mas ninguém vai saber disso, a mãe não vai contar pra ninguém. Ele vai sair de casa, chega à porta, passa a mão no chão e faz aquela manchinha no rosto e sai como se não tivesse acontecido nada. Ninguém vai ficar sabendo, nem vocês, que o Cascão tomou um banho.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 3:47 PM


domingo, outubro 26, 2003

A ALMA GÊMEA

"Os opostos se atraem." Esta máxima já foi muito defendida e reprovada. Muita gente procura relacionar-se com pessoas bem iguais, outras, com pessoas muito diferentes, para funcionarem como elementos complementares.
E isso vêm a ser uma alma gêmea. E alma gêmea não tem nada a ver com uma alma "igualzinha à da gente". Alma gêmea é simplesmente o que cada um procura como um ideal em uma pessoa.
E basta que uma alma nos tangencie nos pontos mais sensíveis - os que consideramos constitutivos de nossa personalidade - para dizermos que ela é nossa alma gêmea.
Muita gente que se conhece e se identifica pela similaridade mútua entre suas personalidades descobrem, com o passar do tempo, a limitação desta identidade.
E aqueles que se conhecem atraídos pelas diferenças, surpreendem-se adiante, por serem tão mais semelhantes do que imaginavam.
O mecanismo é óbvio. Na hora da escolha, aquilo que mais nos atrai no outro nos torna cegos para o resto. E isso é a paixão.
Gradativamente, porém , recuperamos a visão, nosso olhar se faz mais abrangente e passamos a ver nosso parceiro em sua totalidade. E isso é o amor.
O que acontece é uma pequena decisão: a avaliação da comodidade em escolher um parceiro parecido ou diferente de nós.
O risco está em escolher alguém, seja quem for. Mas é um daqueles riscos que vale a pena correr, assim como todos os dias escolhemos o risco de viver.
O ideal seria escolher alguém, não pelo que é em relação a nós, mas pelo que é em relação a si mesmo. Teoricamente fica muito bom e perfeito. Já na prática ficas impossível. Impossível pela simples razão do outro não ser o seu espelho.
Mas uma coisa é inquestionável: seja qual for a escolha, não faça às custas da individualidade. Individualidade não serve para casais, vira egocentrismo e nada pior para desgastar abuptamente uma vida em comum.


(By Ralph - Opio)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:38 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:34 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:25 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:09 PM




Ainda bem que com Luana não há esse risco
(Luís Fernando Veríssimo)

Broxar é humano. Não fique aí pensando que só porque você falhou uma vez a vida não tem mais sentido. Convença-se de que você não é mais um garoto e que nenhum de nós ainda tem o tesão de seminaristas aos sábados que tinha na adolescência, aquela época da vida em que mulher era uma necessidade tão grande que acabava sendo desnecessária, pois qualquer coisa era mulher: colchão, almofada, mão, até prima de óculos.
Certifique-se de que a causa do fracasso não é psicossomática, como uma identificação subliminar sua com a política energética do governo. Converse com seu pênis a respeito. Vocês têm intimidade suficiente para tratar do assunto sem embaraços. Cresceram juntos, participaram de farras juntos, não têm segredos um para o outro. Acima de tudo, não lhe faça ameaças. Não o intimide. A cobrança excessiva pode ser uma das causas do problema. Ele também é humano. Muitas vezes é exigido em circunstâncias difíceis. Quando é chamado a agir sem qualquer aviso prévio, por exemplo.
Está lá, descansando, pensando em outra coisa, e de repente é surpreendido pelo barulho do zíper e tem que se mobilizar às pressas.
-- Como eu podia saber que iam precisar de mim? Vocês ainda estavam no elevador!
-- Ela não quis esperar. Me surpreendi tanto quanto você. Mas isso não é desculpa. Você tem que estar de sobreaviso. Sempre alerta. Afinal, só serve para duas coisas. Não pode se queixar de acúmulo de funções.
-- Eu sei, eu sei, mas assim não dá. Eu preciso de aquecimento, meu velho. Preciso das preliminares. Uma musiquinha, uma bebidinha, uns beijinhos....
-- O fato é que ela procurou, procurou e não encontrou nada.
-- Mas não precisava ter dito aquilo.
-- O quê?
-- "Cadê?"
-- É. O "cadê" foi mortal... Enfim, agora é tarde.
-- Olha, foi melhor ela ter ido embora. Vi que não era uma pessoa legal pelo jeito como me tratou. É nessas horas que se descobre quem tem bom coração.
-- Mas que não aconteça outra vez.
-- Certo. Mas da próxima vez, dá um sinal, pó. Assovia, sei lá.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:02 PM




"O que precisamos para permitir que a mágica tome conta de nós é expulsar as dúvidas de nossas mentes. Uma vez que as dúvidas são expulsadas, tudo é possível. "

Don Juan Matus - Personagem (?) de Carlos Castaneda


Li e tenho todos os livros do Castaneda e alguns me deixaram muito curioso em relação a veracidade dos fatos. Não estou falando dos inúmeros relatos de consciência intensificada, nem do realismo fantástico. Minha principal dúvida é quanto a existência real ou não dos personagens dos livros, especialmente Don Juan e o maluco do Don Genaro. Na época em que li o livro isso não importava nem um pouco, muito pelo contrário, achava que se Castaneda inventara mesmo aquilo tudo, a genealidade dele iria para os patamares dos principais pensadores mundiais. E se existisse mesmo essa tradição dos naguais seria muito ruim que isso houvesse de ser divulgado. Na verdade sempre fiquei confuso quanto a isso, quando lia estava certo que aquilo bastava para meu entendimento da vida, clareou-me muito a cabeça. Minha ilusão era tamanha, que pensava ser o único a entender de verdade o que ali estava escrito, imaginava que os outros viriam aquilo como uma simples ficção... mas era muito além disso, todas as respostas que procurava, todas as dúvidas existenciais foram sanadas. Eu era dado a ter projeções astrais e vi no "outro" a resposta. "Porta para o Infinito" é o meu favorito, as revelações contidas neles seriam capazes de transformar toda a antropologia, se fosse, é claro, levado a sério. Uma das razões de ter entrado para o Daime, com certeza foi a vontade de reviver um pouco dessas histórias. Quem leu toda essa epopéia, com certeza teve interesse e principalmente curiosidade em experimentar os alucinógenos dos relatos e vivenciar as mesmas experiências.


Foto de Carlos Castaneda

Carlos Castaneda, jurava que era brasileiro de Mairiporã-SP e não gostava de ser chamado de Castañeda (ñ=nh), na Califórnia dizem que ele era peruano e escondia os rastros de seu misterioso passado. Morreu de câncer em 1998 em Los Angeles onde viveu grande parte de sua vida.
Seus últimos livros são nitidamente caça-níqueis e não acredito que tenham sido escritos por ele. O livro "Passes Mágicos" que introduz o conceito da tal "tensegridade" é o maior engodo. Hoje existem vários grupos de estudos no mundo, inclusive aqui no Brasil. Há varias pessoas dando "work-shops" usando o nome de Castaneda.

LINKS ASSOCIADOS:

Site Oficial

Entrevista de Castaneda a Revista Veja - 1975

Grupos de estudos no Brasil

Ensaio sobre Castaneda

Resumo das informações pertinentes

Todos os livros - Editora Record


*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:26 PM




Só para
quem insiste em pegar onda em lugares proibidos...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 7:38 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 7:35 PM




O Muro da Vergonha – o retorno
(Roberto Pompeu de Toledo - Revista Veja)

Ironia das ironias: é por iniciativa de Israel, com o apoio dos EUA, que o sinistro adereço volta à cena

A Assembléia-Geral das Nações Unidas aprovou na semana passada, por 144 votos a 4, resolução que condena Israel pela iniciativa de construir um muro separando seu território dos territórios palestinos. Primeiro aspecto a destacar é o resultado da votação, 144 contra 4 – placar de jogo entre time de basquete americano e o Íbis, o clube pernambucano que, se tem o pior time de futebol do mundo, conforme alardeia, há de ter também o pior time de basquete. Segundo aspecto é a identidade dos quatro que votaram contra. Entre eles estavam, naturalmente, o próprio Israel e seu aliado e patrocinador, os Estados Unidos. Os outros dois chamam mais a atenção: Ilhas Marshall e Micronésia. Sim, nada menos que as portentosas Ilhas Marshall (população: 52 mil habitantes) e Micronésia (população: 540 mil habitantes). O fato de Israel e EUA não terem encontrado para a ocasião outros aliados senão os governos de Dalap-Uliga-Darrit (a capital das Ilhas Marshall) e de Palikir (capital da Micronésia) diz algo da popularidade de sua causa. Terceiro aspecto da questão é o valor efetivo da resolução, que o leitor já sabe qual é: zero. O vice-primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ao lhe perguntarem se seu país cumpriria a determinação da assembléia-geral, respondeu: "Vocês têm senso de humor..."

Claro que Israel continuará a construir o muro. Uma resolução da assembléia-geral desse teor, para ser efetiva, precisaria ser aprovada pelo Conselho de Segurança. Ora, no Conselho de Segurança os EUA têm poder de veto. Mesmo que, por absurdo, os americanos deixassem a resolução passar, ainda assim, pode-se apostar, Israel não obedeceria. Resoluções do Conselho contra Israel foram desobedecidas no passado. E assim, até onde a vista alcança, pode-se prever um futuro sem impedimentos ao muro concebido por esse campeão da truculência, entre os líderes contemporâneos, que é o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon – um muro cuja construção avança, de concreto em alguns pontos, em outros substituído por cercas de arame farpado, freqüentemente invadindo o que em tese é território palestino, às vezes separando as pessoas do hospital mais próximo, outras seu lugar de residência do local de trabalho.

Logo Israel foi fazer um muro, e logo os EUA foram apoiá-lo nessa empreitada! Eis aí uma escandalosa ironia da história. Muro é algo associado a gueto – o espaço delimitado onde, como bois num curral, os judeus eram confinados, em diferentes cidades, por imposição do anti-semitismo que reinou ao longo de tantos séculos de estupidez. Quem viu o mais recente filme de Roman Polanski, O Pianista, teve noção viva do que era o gueto, expressão mais física possível de discriminação e sede de crueldades inomináveis – bem como do muro que o continha. Há algo de indecoroso no fato de a idéia de muro, a sombria idéia de muro, que não pode deixar de estar presente nos recônditos mais sofridos da memória judaica, ter sido assacada como solução para os atuais problemas israelenses. Para quem ache forte demais o "indecoroso", desconte-se para "mau gosto". É no mínimo de mau gosto um líder judeu usar, contra outro povo, o recurso do confinamento, do isolamento, da proibição de passagem, da exclusão.

Quanto aos EUA, comecemos por relativizar sua posição. Não é que apóiem abertamente o muro. O presidente George W. Bush já fez restrições à iniciativa. Mas, como sempre, quando se trata de Israel, as condenações americanas expressam-se de modo tão suave que soam antes a encorajamento. Na votação na assembléia da ONU, a empreitada israelense na prática acabou por receber o aval do governo americano. Eis então os EUA investidos da condição de defensores de um muro, eles que, até outro dia, e ao longo de todos os anos da Guerra Fria, foram o adversário número 1 do mais célebre muro então existente, o de Berlim, também chamado de Muro da Vergonha. "Ponham abaixo esse muro", dizia o presidente Ronald Reagan. Antes dele, e num dos momentos em que a Guerra Fria ameaçou virar guerra de verdade, talvez nuclear, envolvendo as duas superpotências do período, o presidente John Kennedy organizou uma ponte aérea para tirar Berlim do sufoco. Ironia suprema, os EUA agora são a favor de um muro.

Restam duas constatações. A primeira é que muros, além de ignominiosos, não resolvem. O de Berlim veio abaixo como castelo de cartas. Muito antes a China construíra toda uma muralha e nem por isso deixou de ser um dos países mais invadidos e vilipendiados do mundo. A segunda constatação é que nem os israelenses acabarão com os palestinos nem os palestinos com os israelenses. Tampouco um conseguirá obrigar o outro a mudar para longe. Os dois estão condenados a conviver, e mais dia menos dia terão de se acertar para que isso transcorra de forma pacífica. Por que então não começar logo? Por que não erguer pontes, abrir portas e rasgar janelas, em vez de investir nesse mais sinistro dos adereços arquitetônicos, que é o muro?

*Publicado por Dhuvi-Luvio 7:24 PM




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