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Deixa com o Beque !!

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:14 PM




Sobre um dia qualquer
(Carla Dias)

Uma mulher condicionada ao universo do tempo sendo transpassado pelo buraco da agulha, remendando sonhos qualificados de fúteis, e então, amar é fútil, cantar é fútil, viver, ah, também é fútil. Enquanto antigas fitas k7 rodam em quase obsoleto toca-fitas, e delas saem frases feitas de auto-ajuda recondicionada. As nossas avós já sabiam que se sentir bem exigia qualificação, pois, quase crianças, eram destinadas a casamentos com homens que jamais amariam. E, depois do café com leite, já moçoilas, se entregavam ao enredo by Aldous Huxley, à superficialidade de um admirável mundo novo que não as atraíam, e seguiam em frente, mesmo tentadas às fantasias by Anais Nin.

Um homem que coleciona verbos, atendo-se em escrever à mão, grafia refinada, as ordens que sempre quis dar ao destino, querendo dele o movimento adverso, a controvérsia, querendo desigualdades que não ferem mais do que o mais exigente padrão. E que pinta a boca em busca da imagem do sorriso, a própria figura, entranhando na alma conjecturas passionais. A melancolia escorrendo do olhar, mas debaixo das unhas guarda fiapos das roupas recolhidas do sereno de uma madrugada de insônia. A ciência encontraria em seu corpo os vestígios do crime cometido. Usaria de todo conhecimento forense para detectar a arma do crime. E a solidão brotaria dos seus poros e da sua boca cairiam palavras ferinas. E ele voltaria ao transe que lhe permite suportar o passar das horas.

Sob o sol escaldante quantos desertos não se desdobram? As bocas secas desistem do grito, o corpo já adepto da estática, e o pensamento que não pára de renascer, mostrando aos olhos cegados pela luz violenta as imagens de oásis tão possível: um abraço refrescante em presença. As tardes de domingo sob as asas da companhia dos filhos.

A mulher cozendo idéias que jamais revelará a alguém, cerzindo mágoas e a falta do que nunca viveu. O olhar colado no tecido ao qual se grudam problemas a serem resolvidos, a estampa é sempre a mesma, mas não há rotina que faça definhar a imaginação dela. Onde há flores desbotadas, eis que agulhas e linhas preenchem de vermelho-sangue, e tudo renasce como se fosse um milagre secreto.

O homem lidera o imprevisto ao se ver rendido por ele. Uma relação de coexistência entre céu e inferno. Mas seus olhos marejam é na aurora e o sorriso desponta em todas as manhãs de sol abrilhantando o futuro. Na mão dele, papéis que já foram provas da sua existência e que hoje são apenas pedaços de lembranças. Bijuterias do falseado destino de sucesso. Falseados sortimentos e aprazíveis sacrilégios.

E nos pecados eles romanceiam as próprias vidas, ressentindo e desistindo, antes da hora de dormir. E então, calmantes fazem adormecer o desejo de mudança. E eles sonham realidades que lhes foram garfadas pelas oportunidades perdidas.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:13 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:08 PM




quinta-feira, fevereiro 26, 2004

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:06 PM




A solidão é não-fumante

Hoje, decerto, não será um dia igual aos últimos 30 que passei à toa, compensando a abstinência com vagabundagem. Meu clínico-geral – ô, raça! – vai pensar que é piada, mas cortei, junto com o cigarro, as carnes vermelhas, o açúcar, os refrigerantes, quase toda gordura animal, farináceos em geral, noitadas em particular...

Só não cortei os pulsos porque nas horas de maior aflição usava os pés para driblar a vontade de fumar. Andava três, quatro horas por dia em busca de bons motivos para largar o vício depois que a tomografia de meus pulmões foi considerada “um espetáculo” pelo especialista que me assiste com antidepressivos (Zyban) e adesivos de nicotina (Niquitin) para segurar minha onda.

Os três quilos que perdi, as ressacas que não tive e a indescritível sensação de limpeza orgânica – até o cheiro de pum de meus filhos voltei a sentir – também me ajudaram a resistir à tentação de uma mísera tragadinha depois das refeições, do cafezinho, do drinque... Para mim, os piores momentos da abstinência foram aqueles de solidão. Jamais estamos sozinhos quando se fuma – daí, imagino, a sensação de que tudo que escrevi até sair de férias tem co-autoria do cigarro. Eu e o Parliament talvez sejamos como Roberto e Erasmo Carlos – não necessariamente nessa ordem.

Ainda bem que volto a fazer análise na próxima terça-feira. Ando cheio de dúvidas de quem eu seja não fumante. Talvez eu não exista sem cigarro! Sabia que esse tipo de crise estava reservada para minha volta ao trabalho, mas confesso que subestimei o vício. Imaginava que, limpo há um mês, não sofreria tanto os efeitos da dependência.

Escrevo da Quarta-Feira de Cinzas, agora são 15h03, e os cinzeiros à minha volta continuam vazios. Faltam, portanto, 8h57 para eu completar 30 dias sem fumar. Meus amigos alcoólatras sabem o que é isso. Às 11h da manhã, quando religuei meu computador, achei que não conseguiria chegar ao meio-dia sem fumar pelo menos dois cigarros para passar do primeiro parágrafo. Acho que hoje vou vencer esta guerra, amanhã começa tudo de novo.

Todo mundo fica um pouco mais burro quando pára de fumar, só espero não cometer a suprema burrice de voltar a fumar por causa do trabalho. O certo seria continuar de férias até tudo isso passar – alguma hora, espero, o cigarro será para mim algo tão imperturbável quanto a cocaína ou a Coca-Cola. Todo ex-fumante deveria ter direito a um ano sabático para se reencontrar!

Agora já são 17h20, matei um bule de café e uma cartela de chicletes, a Unidos da Tijuca é vice-campeã do Carnaval carioca e eu vou chegando ao fim do primeiro texto não-fumante do resto de minha vida. Soube na volta das férias que Lula está tentando largar um tal de Waldomiro, e Luma, o Eike Batista. Meu caso é mais simples: para continuar limpo, basta eu deixar o cigarro. Torçam por mim.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:00 PM



*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:54 PM




*Publicado por Dhuvi-Luvio 7:20 PM




A Banda (Lula e Chico Buarque)

Estava puto da vida
Quando o PT me chamou
Pra ver a coisa mudar
Com Lula paz e amor
A minha gente sofrida
Então no Lula votou
Pra ver a coisa mudar
Cantando coisas de amor

O empresário que já tava quebrando, votou
O operário que nem tava jantando, votou
A estudantada que não tinha escola, votou
Para ver, ouvir e dar passagem
O camponês há muito tempo calado, sorriu
O nordestino que já tinha murchado, se abriu
E a igrejada toda se assanhou...
Pra ver o Lula mudar
O que Fernando estragou

O aposentado se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A professora debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A arenga velha se espalhou na avenida e insistiu
A militante que vivia escondida surgiu
A minha pátria toda se enfeitou...
Pra ver o Lula mudar
O que Fernando deixou

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo ficou no lugar
Depois que o Lula chegou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois do Lula chegar
Cantando coisas de amor.


*Publicado por Dhuvi-Luvio 7:15 PM




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