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Deixa com o Beque !!

sexta-feira, março 12, 2004



Esse filme eu fiz questão de comprar o DVD, para revê-lo pelo resto da vida.
Há nele algumas cenas antológicas do cinema, além de uma das melhores trilhas sonoras.
- John Travolta gordo dançando twist com Uma Thurman
- A enfiada da agulha enorme no peito contra overdose de heroína
- O discurso bíblico de Samuel Jackson antes de matar alguém
- O banho de mangueira mostrando a barriga enorme do Travolta
- A entrega do relógio de pulso ao Bruce Willis jovem por um Capitão do Exército (diálogo abaixo)

- Este relógio aqui foi adquirido pelo seu bisavô. Foi comprado numa lojinha em Knoxville, Tennessee, durante a Primeira Guerra Mundial. Foi comprado pelo soldado raso Erine Coolidge no dia em que ele partiu para Paris. Foi o relógio de guerra de seu bisavô, feito pela primeira fábrica de relógios de pulso que existiu. Porque, você sabe, naquela época as pessoas costumavam carregar relógio no bolso. Seu bisavô usou este relógio todos os dias enquanto esteve na guerra. Quando acabou de cumprir com o seu dever, voltou para casa, para sua bisavó, tirou o relógio do pulso e guardou numa velha lata de café. E ali ele ficou até que seu avô Dane Coolidge foi convocado por sua pátria para atravessar o mar e combater os alemães novamente. Desta vez era a Segunda Guerra Mundial. Seu bisavô deu para o seu avô para lhe dar sorte. Infelizmente, a sorte de Dane não foi igual à do pai. Seu avô era um fuzileiro naval e foi morto com todos os outros fuzileiros na batalha de Wake Island. Seu avô estava enfrentando a morte e sabia disso. Nenhum daqueles rapazes tinha a menor ilusão de sair daquela ilha vivo. Então, três dias antes de os japoneses tomarem a ilha, seu vovô de 22 anos pediu a um atirador do serviço de transporte da força aérea chamado Winocki, um homem que ele jamais viu antes na vida, para entregar ao filho, que ele por sua vez jamais conheceu em carne e osso, seu relógio de ouro. Três dias depois, seu avô foi morto. Mas Winocki cumpriu a promessa. Quando a guerra acabou, ele fez uma visita a sua avó e entregou a seu pai o relógio de ouro do pai dele. Este relógio. Este relógio estava no pulso do seu pai quando acertaram o avião dele sobre Hanói. Ele foi capturado e levado para um campo de prisioneiros vietnamita. Ele sabia que se os chinas vissem o relógio, o confiscariam. Para o seu pai o relógio era dele por direito de herança. E que ele fosse pro inferno se algum cabeça-de-bagre iria pôr suas mãos amarelas gosmentas no direito do seu filho. Então ele o escondeu num lugar onde sabia que podia esconder uma coisa bem escondida. No cu. Durante cinco longos anos ele escondeu este relógio no cu. Quando ele morreu de disenteria, me deu o relógio. Eu escondi esta desconfortável badalhoca de metal no meu cu durante dois anos. Aí, depois de sete anos, fui mandado de volta para minha família. E agora, rapazinho, eu dou o relógio para você.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:01 PM



Jogo da Memória 1


Jogo da Memória 2


Jogo da Memória 3

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:40 AM




Conspiração caipirinha
Verdades e interesses por trás do escândalo Waldomiro

Por Miguel do Rosário

Nós que temos o duvidoso prazer de acompanhar diariamente a vida política do país, sobretudo nós que não nos contentamos com isso, com somente acompanhar, e queremos interferir, dar nossa opinião, enviar cartas, escrever artigos, enfim nós que genericamente somos chamados de opinião pública brasileira e que, muitas vezes, somos chamados meio pejorativamente de classe média, embora às vezes nossas dívidas nos façam refletir se não já descemos alguns degraus da escala social, enfim nós que lemos não somente um jornal mas vários jornais, vários sites, temos acesso a todo tipo de opinião, nós temos uma responsabilidade muito grande nas mãos. Não nos é permitido ser ingênuos. Dito isso, vamos analisar o caso Waldomiro, que tanto escândalo vem causando na mídia e que vem deflagrando uma nova onda de rancor geral contra o governo Lula e o PT, onda que atingira o auge durante a reforma da previdência e que agora volta com força total.

Um dos líderes nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, deu um alerta: forças conservadoras estão tentando desestabilizar o governo Lula. Aliás, a interpretação do núcleo duro do PT é que está havendo um ataque estratégico para derrubar José Dirceu, ministro da Casa Civil, por se tratar ele de um dos pilares mais esquerdistas da administração. Recentemente, Dirceu foi o responsável por algumas vitórias importantes sobre as tendências conservadoras que vem espertamente namorando o governo federal: conseguiu impor um modelo mais estatizante à política energética do país, engavetou as discussões em torno da autonomia do Banco Central, tem defendido posições extremadas na política externa, inclusive apoiando a polêmica medida que obriga os americanos a pagarem cem dólares por um visto para vir ao Brasil (a mesma taxa paga pelos brasileiros para obter um visto para entrarem nos EUA) e a terem fotos e digitais registradas nas âlfandegas nacionais.

Mas o alvo principal tem sido mesmo o Partido dos Trabalhadores (PT). Tanto setores conservadores como setores esquerdistas que já vinham alimentando ódios contra o incrível acúmulo de forças que vêm obtendo os principais partidos de esquerda do país, o PT e o PCdo B, vêm se aproveitando fartamente do momento de fragilidade política do governo, em que se encontra sob os holofotes da mídia sob uma ótica bastante negativa, e começam a atacá-lo por todos os lados. Até aí, nada de mais. Esse é o jogo político democrático. Além de ser uma merecida lição para o PT. Mostra que não pode haver nunca, em hipótese alguma, relaxamento da vigilância sobre os companheiros de trabalho, ainda mais entre aqueles que frequentam os escritórios mais importantes do país, onde se tomam decisões estratégicas que afetarão a vida de milhões de brasileiros.

O motivo deste artigo, entenda-se bem, não é apenas dar minha opinião e apresentar minha pretensa verdade, mas sim fomentar o debate. Ou seja, botar fogo na fogueira mesmo. Democracia é isso: um grande e aberto debate público sobre tudo e sobre todos.

Não posso deixar de comentar, por exemplo, o artigo de Gustavo Barreto, editor do site Consciência.net, e também publicado na conceituada revista eletrônica Nova Economia, especializada em política, entre outros assuntos, em que ele faz uma análise pra lá de negativa da entrevista que Aldo Rebelo, ministro de Articulação Política, concede ao jornal Valor Econômico. Barreto faz comentários assaz ácidos sobre Rebelo e suas declarações. Desta forma, Rebelo é vítima de uma distorção dupla. Primeiramente, das três repórteres que o entrevistam (uma distorção inicial tripla), e aí temos uma distorção natural, uma distorção, digamos, em primeira mão. Com o artigo de Barreto, temos uma distorção em segunda mão. Ele já começa dando uma conotação negativa, dizendo que o eixo de matéria "logo se vê" é colaborativo, o que é talvez uma falha lógica ao apresentar a conclusão antes do raciocínio.

Podemos então dizer que o artigo de Barreto é, "logo se vê", não-colaborativo. Até aí tudo bem. É mais honesto dar logo de início o tom de sua opinião do que dar uma de Antônio discursando perante o cadáver de César, ou seja, assumir uma posição inicial contrária à sua própria, afim de ganhar as graças do espectador, no caso o leitor, para deixá-lo cair, ao fim, numa ardilosa armadilha intelectual. Aliás, um artifício lógico incrivelmente eficiente e muito usado pelos articulistas novaiorquinos, provavelmente ávidos leitores de Aristóteles e Shakespeare. Portanto, muito honesto o artigo de Barreto. Mas talvez um pouco ingênuo, ou precipitado, por achar que o ministro comunista responsável justamente pela articulação política do governo deveria atacar Sarney, presidente do Senado, ou ACM, atualmente um importante trunfo do governo dentro do PFL. Se o fizesse, Rebelo estaria sendo deveras incompetente. E, convenhamos, ter um ministro de Articulação Política incompetente dentro do governo seria prejudicial para todo o país.

O caso Waldomiro está sendo investigado pela polícia federal, pelo ministério público, pela imprensa, pelos políticos de oposição, e mais cedo ou mais tarde, esperamos, a verdade virá à tona. Agora, o país está cheio de gente passando fome e desempregada e o congresso e o governo precisam agir. Não podemos colaborar com os beneficários do status quo, paralisando a agenda governamental por causa de um safado que, sabemos todos, não é o único entres os milhares de funcionários que sustentam a pesada e ainda bastante problemática administração pública brasileira.

Também deixemos de lado este papo besta que a história do PT foi manchada e que o PT agora pode ser visto como um partido qualquer. Ora, isso é a velha cantilena de ex-petistas amargurados com a vida e direitistas membros de partidos feridos por tantos e quantos casos de corrupção ainda não explicados. O PT é um partido político, não uma agremiação de deuses olímpicos. Pode ter menos casos de corrupção que outros partidos, mas a partir do momento em que cresce e começa a lidar com grandes somas de dinheiro e poder, estará exposto como qualquer outra entidade. O que é preciso é que tenhamos uma Justiça independente, e transparente. E uma Polícia independente e transparente. Um Congresso independente, e também transparente. Enfim, é preciso transparência acima de tudo e eventualmente acabar com o sigilo bancário e telefônico de todo e qualquer funcionário público. Seja como for, o caso deixa lições. E, de certa forma, a sociedade lucra toda vez que o governo se vê acuado, pois assim ele é obrigado a se tornar mais humilde, mais transparente e, sobretudo, mais ativo em suas realizações sociais.

O que não podemos, contudo, é nos deixar levar por uma onda que visa desestabilizar o governo e, com isso, a economia nacional, a moeda e tal. Sim, porque venho acompanhando os noticiários internacionais, como o New York Times e o Financial Times, e fico pasmo como não se publica nenhuma notícia positiva sobre o Brasil. Lula discursa na ONU criticando a guerra. Nada. Lula pede a criação de um Fundo Mundial para combater a Fome. Nada. Fundo recebe apoio da França e outros países. Nada. Ou muito pouco. Agora, um sub-funcionário do Planalto, um ex-sindicalista, diga-se de passagem (e não é o único desta categoria), é envolvido num escândalo, e todos os grandes jornais do mundo publicam matérias sensacionalistas dizendo que o governo brasileiro se vê ameaçado, que o ministro-chefe da Casa Civil pode renunciar, que o PT está manchado para sempre. Não vou dizer que é estranho, porque é uma maneira de falar enjoativa e ambígua. E, no fundo, não é nada estranho. Mostra que ao redor do governo de "coalização" de Lula continuam se articulando poderosas forças que através de cantos de sereia, conselhos, pressões e ataques, querem influenciar nos rumos políticos do gigante da América do Sul.

Compete a nós, opinião pública pretensamente esclarecida, fugir da histeria da mídia e da ingenuidade dos que não têm a oportunidade de melhor se informarem, e sermos os guardiões da verdade. Nos Estados Unidos, pátria da liberdade e da livre expressão, com tão pouco analfabetos, já assistimos, estarrecidos, o talento da mídia em criar sistematicamente armadilhas intelectuais que enrolam e acabam por influenciar, de forma decisiva, a opinião geral.

Temos que cuidar para que nossa economia não seja prejudicada por articulações políticas sejam elas quais forem. Porque estamos carecas de saber que quem paga o pato são os segmentos mais frágeis da população. Crise política? Moeda cai, dólar sobe, inflação, e alguns centavos a mais no preço do feijão podem não afetar tanto a classe média, mas podem representar a fome aguda para uma família de baixa renda. Nós brasileiros precisamos velar pela ética acima de tudo, mas não podemos cair na armadillha de colaborarmos para uma crise que pode aumentar o sofrimento já insuportável no povo brasileiro.

Vamos dar um voto de confiança à Justiça, à Polícia e ao Ministério Público. Tem muita gente competente e corajosa nestas instâncias. E bola pra frente que o país precisa trabalhar. Tem muito trabalho escravo aí para desmascarar, muito emprego aí para gerar, muito latifúndio aí para desapropriar. E muito Waldomiro aí para prender.

Temos que nos apressar, pois, como disse o poeta Ferreira Gullar, "o tempo é pouco e o latifúndio está aí, matando".


Miguel do Rosário é colaborador da
Novae e editor de Arte e Política

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:28 AM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:23 AM



Bare Naked Gallery - Photograpy by Joris Van Daele

Lembre-se sempre: Hoje é SEX-ta feira

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:47 AM



quinta-feira, março 11, 2004





Vamo lá. Eu sei que o assunto é pesado. Mas eu e você temos que ser forte, amigo. A mulherada não anda certa, isso é certo, mas elas chegaram a um ponto que está difícil permanecer na cama após o coito. Difícil e perigoso. Elas deram pra falar coisas estranhas pra ele. A olhá-lo de um jeito esquisito; a mexer com o maxilar de forma ameaçadora.

Eu tenho minha teoria a respeito. É o nosso bom desempenho que vem causando esse fenômeno. Se você nunca passou por isso é porque sua namorada deve ser uma infeliz. Mas você é um homem de sorte, pode apostar.

Depois de fazê-las gozar como nunca (clitoriano, vaginal, simultâneo e um plus/bônus de algumas seqüências de um múltiplo), elas são arrebatadas por um estranho sentimento de amor pelo mundo e, infelizmente, esse mundo se resume ao nosso pinto.

Você tá lá, jogadão, começando a entrar naquele limiar que separa o mundo real do onírico e elas começam:

“Ai ai ai, que coisinha mais murxinha da mamãe! Eu vou pegar, eu vou pegar...”

Você finge que não escutou e tenta um bocejo.

“Tadinho! Por que ele tá tão tristinho? Hum, já sei, ele quer mais beijinhos, né?”

E não adianta virar pro lado e nem tentar fingir que não é com você. Muito menos aplicar o golpe do "vem cá, deixa eu te fazer um carinho".

“Ah, tá querendo brincar de esconder, é? Que tal esconder aqui dentro da casinha da mamãe? Ela é quentinha, escurinha, apertadinha...” e por aí vai.

Pra não piorar as coisas você sorri, meio sem graça, desconfiado. Nunca contrarie uma mulher nesse momento. Ainda mais quando ela estiver com as mãos nele, balançando-o de um lado pro outro, e com a boca mostrando os dentes perto de sua bolsa escrotal. O melhor, amigo, é ser submisso, pedir forças pra nosso Senhor Jesus Cristo e mandar ver de novo, pra ver ser elas se acalmam. Mas tem que rezar com fé, porque se o fôlego acabar no meio, aí você vai escutar outras coisas, muito piores!



Renato Cabral - O ruminante

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:56 AM


quarta-feira, março 10, 2004

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:20 PM





Uma Vida Ordinária... Uma Vida Feliz

A primeira vez que você foi chamada de mãe, pai, avó(ô), tia(o). O tão esperado primeiro beijo da pessoa amada. Aquela mágoa antiga, de alguém realmente importante para você, que se desfaz. O banho reconfortante depois de um longo dia de trabalho. A sua própria cama, na sua casa, depois de muito tempo dormindo em hotel. A conclusão daquele curso após anos de dedicação e esforço pessoal. O olhar reconfortante de um amigo numa situação difícil. A mãozinha de um bebê segurando, apertado o seu dedo. Seu cachorro correndo para te receber. A comida saborosa e quente num momento de fome e frio. As férias na praia registradas numa foto iluminada pelo seu sorriso. A sensação de permanência afetiva que descobrimos ter por alguém que amamos e há muito morreu. A visão daquele pôr-do-sol que você nunca esqueceu. O descontrole libertador de um orgasmo a dois. A certeza de ter tido um trabalho devidamente reconhecido. Um elogio feito a uma mudança que você inseguramente se aventurou a fazer. Ouvir alguém que realmente importa dizer "Eu te amo". Ser aquecida(o) por um abraço apertado num inverno de montanha. Dançar até o salão a sua volta começar a girar. Por alguma razão desconhecida perder a vergonha e fazer algo que você nunca tivera a coragem de fazer antes. Vencer um medo. Falar "Eu te amo" com o coração palpitando e ser correspondida(o). Olhar para alguma coisa, um objeto ou um lugar, e sentir a presença de algo que você seguramente chama de divino. Ter um sonho maravilhoso e acordar e acordar com aquela sensação de que tudo vale a pena. Ver os pratos e a panela "limpa" sobre a mesa depois de servir algo que você mesmo cozinhou. Tirar um sapato que aperta e esticar os pés no chão. O calor do sol numa manhã morna de primavera. Uma fruta fresca e saborosa e doce comida com vontade. Vestir uma roupa que cai como uma luva. Saber que há alguém com quem você pode contar. Ser essa pessoa para alguém. Ter saúde ou voltar a tê-la!...

Se você viveu qualquer uma dessas experiências — e eu aposto que qualquer um de nós já usufruiu da maioria delas — então você sabe o que é felicidade. Talvez você ainda continue acreditando que felicidade é um carro melhor do que o que você tem, uma casa maior, um corpo mais jovem ou mais magro, um cabelo mais liso ou mais brilhante, um salário mais gordo ou um parceiro(a) tão apaixonado como Don Juan de Marco. Isso é um desperdício, sabia? Pare e pense nas lembranças felizes da sua vida... Pensou? Aposto que a maioria delas não envolve dinheiro ou status social, não implica em preconceitos estéticos ou em demonstrações melodramáticas de amor. As lembranças felizes da minha ou da sua vida, como da de qualquer outro ser humano, costumam girar em torno de coisas muito simples, vivências do dia-a-dia, aquelas "pequenas coisinhas" para as quais nós não damos a importância devida.

Na maioria das vezes nós confundimos as coisas. Costumamos achar que a alegria que sentimos ao receber uma promoção ou concluir um negócio é devida às possibilidades financeiras que isso representa, bobagem! Ficamos alegres por nos sentirmos reconhecidos. Porque mesmo que o dinheiro continue a crescer na nossa conta, a felicidade não vinga se não pudermos constatar que o trabalho que realizamos faz diferença na roda da vida. Quando alguém nos declara amor de forma ostensiva tendemos a achar que nosso contentamento vem da dramaticidade da perfomance, do número de flores recebidas ou da extensão do poema recitado.

Esqueça isso! Nós queremos compartilhar o nosso amor. Se as flores continuarem a chegar e os poemas continuarem a serem escritos mas a pessoa não estiver lá para dividir tudo aquilo que somos — o nariz catarrento de gripe ou a(o) dona(o) da festa que atrai todos os olhares — a felicidade não vinga. Ao conseguirmos comprar a casa sonhada, nos inclinamos à idéia de que podemos ser mais felizes porque teremos mais conforto ou mais status. Pode ser, mas se a casa for grande e bela e não houver com quem habitá-la — amigos, família e/ou amor — e se ela não representa para você a chance da segurança objetiva que lhe permitirá correr atrás de outros sonhos mas apenas a confirmação de seu progresso financeiro, então a felicidade não vingará.

Não deveríamos perder tanto tempo da vida investindo em coisas que não podem nos fazer felizes como a busca desenfreada por dinheiro ou pela eterna juventude, a dedicação a uma crença que não nos conecta com o divino ou uma relação na qual não comungamos do amor. A vida é curta! Eu sei disso, e você também. Então por que continuamos a viver como se tivéssemos todo o tempo do mundo? Nós não temos. A vida é agora! Pega o telefone e liga para aquela pessoa que você gosta tanto mas que há muito tempo não vê, agora! Diga "Eu te amo" a quem você pode dizer, agora! Faça alguma coisa decente por alguém — inclusive você mesmo — agora!

Ser feliz implica na capacidade de entrar em sintonia com o fluxo da vida. E o fluxo da vida não nos espera, ele simplesmente flui em cada momento, em cada milissegundo do tempo que nossos relógios, calendários e células contabilizam. A felicidade é uma combinação rítmica entre o que nós precisamos e o que nós desejamos, entre nossas necessidades físicas e nossas aspirações espirituais, entre o que podemos viver e o que gostaríamos de realizar. Penso que o potencial para a felicidade é essencialmente viver cada experiência como se fosse a última, porque pode ser. Seja a experiência ruim ou boa, prazerosa ou não, vivê-la integralmente nos ajuda a definir o que é realmente importante para nós em nossas vidas. Somente conseguindo identificar o que realmente queremos — mesmo que esse querer seja mutante — é que podemos priorizar e reconhecer aquilo com o que estamos dispostos a compartilhar nosso tão precioso tempo.

E quando conseguimos fazer isso, nos damos conta de que ser feliz é viver a vida que temos para ser vivida com todos os nossos recursos sensoriais, porque o mundo da nossa vida é o mundo dos sentidos, é através deles que experimentamos o melhor e o pior daquilo que podemos ser. E se os sentidos são a porta para a experiência humana, então eles também são a porta para a felicidade. Porque realmente acredito na felicidade como sendo toda a experiência humana e não apenas momentos apoteóticos isolados no fluxo do tempo. A felicidade é um estado que se oportuniza pela nossa capacidade de usufruir da experiência, reconhecendo nossa parcela de responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do resultado. A felicidade não é o que vivemos, mas como vivemos. Por isso a importância dos momentos mais ordinários da nossa vida, porqueé nas situações mais óbvias, ou nas mais duras, que podemos revelar toda a nossa capacidade de viver a vida.


Angelita Scárdua

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:05 PM





Mantenha distância.

Quando gostamos de alguém ou alguma coisa, nossa tendência natural é a de nos aproximarmos cada vez mais desse objeto, certo? Sempre mais um pouquinho, não é mesmo? Pois bem, esse movimento de aproximação é natural, espontâneo e esperado.

Mas, já prestou atenção ao que acontece quando nos aproximamos? Faça a experiência aí: olhe para um objeto qualquer, uma caneta, por exemplo. Vá se aproximando dela. Vá trazendo cada vez para mais perto dos olhos... O que acontece? Você, no começo, você enxerga a caneta inteira e sempre um pouco melhor, mas, a partir de um determinado momento, começa a não enxergar mais o que estava em volta da caneta, só ela, depois nem a vê mais em seu todo, começa a enxergá-la em parte, e essa parte que você vê é cada vez menor, até que vira um borrão que você não compreende e, se continuar a aproximar, machuca a vista, podendo até cegar. Não é o que acontece?

Pois então. Quando nos aproximamos de um objeto qualquer, a partir de determinado momento começamos a perder a visão do todo e, quando não houver mais distanciamento crítico, nem o reconhecemos mais.

Para enxergar corretamente um objeto, precisamos respeitar essa distância mínima necessária. Mesmo que o objeto seja a pessoa amada ou nosso trabalho.

Por isso, em nossas vidas, como tendemos a nos aproximar demais de tudo o que nos diz respeito, acabamos por perder o distanciamento crítico e começar a fazer bobagens, a imaginar que nos misturamos a esses objetos cujos limites não enxergamos mais, ao ponto de confundirmos nossa própria identidade com a identidade do objeto, complicando demais, criando problemas sob uma base irreal, inviabilizando a maior parte das soluções possíveis.

Quem está distante, além de nos ver tropeçando em nossos objetos, ainda enxerga à volta nosso ambiente, e percebe o quanto nossa confusão perturba, o quanto o transformamos num circo ou num hospício.

Tropeçamos em nossos objetos por horas, dias, meses a fio, a vida inteira e, quando vemos, somos enterrados com nossos problemase complicações: apenas objetos dos quais nos aproximamos além do distanciamento crítico e com os quais nos misturamos tanto que perdemos a percepção dos limites de nossas próprias individualidades.

Passamos do ponto e começamos a não analisar mais a pessoa, o problema, o emprego, a coisa, mas sim a julgá-los como partes de nós mesmos, e isso não faz o menor sentido para quem está distante. Aí enlouquecemos em nosso cotidiano. Normais e insanos.

Portanto, a melhor coisa da vida é manter distância suficiente para não haver fusão, contaminação ou confusão entre nós e todos os objetos que nos interessam.

Como dizem os budistas: exercitar o desapego para conhecer a Verdade e a Felicidade; tomar distância para eliminar a Ilusão e o Sofrimento.

É isso aí, ou quase... Beleza? Ponha em prática. Não vou cobrar nada.


Circulando.com

*Publicado por Dhuvi-Luvio 8:47 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:21 AM


segunda-feira, março 08, 2004




Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!

Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.

E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!


(Elisa Lucinda)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:04 PM





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