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Deixa com o Beque !!

sexta-feira, outubro 22, 2004



Lamento
(Carla Dias)

Lamento se as horas não passam como você queria. Por elas não se lambuzarem de delícias durante os mil, quatrocentos e quarenta minutos do dia. E por eu não saber aprisioná-las ao agrado do tempo. Não nasci guardiã das horas como você desejou em segredo. Não tenho como esticar os segundos até torná-los eternidade.

Lamento não ter nascido da cor e no tamanho certo que você adotou como regra ao seu agrado. E por minhas palavras soarem desarrumadas à sua compreensão. Também por não saber as respostas para as suas perguntas catárticas. Por estar presente nos momentos mais frágeis da sua existência; sustentando no meu colo o peso das suas, às vezes, inexplicáveis tristezas.

Lamento se as horas se arrastam como você não queria, por elas valsarem em par com a ventania; a mesma que desmancha cabelos e desarmoniza a paisagem, fazendo com que folhas das árvores despenquem e da alma da gente seja arrancada um tanto de saudade.

E lamento por considerar tudo isso alguns dos milagres da vida. Daqueles que acontecem quando nos prendemos ao tempo e esquecemos da assimetria da velocidade que rege um segundo de alegria... dias de euforia... minutos de prazer... anos de parceria. Tempo sem que o lamento seja uma fiel companhia.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 5:04 PM




O Velho e o Moço
(Rodrigo Amarante)

Deixo tudo assim
não me importo em ver
a idade em mim
ouço o que convém
eu gosto é do gasto

sei do incômodo
e ela tem razão
quando vem dizer
que eu preciso sim
de todo o cuidado

e se eu fosse o primeiro
a voltar pra mudar
o que eu fiz
quem então agora eu seria

ahh tanto faz
e o que não foi não é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?

deixo tudo assim
nao me acanho em ver
vaidade em mim
eu digo o que condiz
eu gosto é do estrago

sei do escândalo
e eles tem razão
quando vem dizer
que eu nao sei medir
nem tempo e nem medo

e se eu for o primeiro
a prever e poder
desistir do que for da errado

ahhh olha se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim
dispenso a previsão

ahhh se o que eu sou
é tambem o que eu escolhi ser
aceito a condição

vou levando assim
que o acaso é amigo
do meu coração
quando falo comigo
quando eu sei ouvir


(Los Hermanos * - Álbum Ventura - Trilha 9)

* Gente inteligente fazendo música

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:51 PM


*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:46 PM




Parece uma bicicleta de 4 rodas, mas está longe disso.
É o
Centaur, novo lançamento da Segway, que adaptou o HT
vulgo "a coisa" para um veículo em que o Bush não cairia tão fácil...

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:23 PM




HOT LINKS DA SEX-TA-FEIRA

- Karina Bacchi nua nas fotos do The Girl
- Sjaaks Babelogs, links para vários diretórios abertos.
- Esse pessoal da oficina está exagerando...
- Galerie von Rainer K. / HOTKISS - Fetish
- Sabine Schoenberger, fotos de arte erótica
- Essa Lolita você não pode deixar escapar...
- Qual seria mesmo a preferência nacional ?
- O que a falta de homem no mercado causa...
- Petatrix.com :: sensuous photography :: fine nude art
- Neurosex, para quem tem nervos e não neura
- veja a feição de cada um naquela hora...
- Você reconhece esse lugar ? E essa gatinha ?
- Vídeo de um flagra na hora que ela está sozinha...
- Mulheres do mundo visitando o Rio de Janeiro
- Brinquedos sexuais, isso não é brincadeira.
- Blogtied: The Bondage Blog. Não sabe o que é Bondage ?
- Fabiana Andrade, repetida atendendo a pedidos...
- Uma revista eletrônica só para mulheres...
- Quem é que consegue resistir a seu olhar ?
- Tem alguém aí para me ensinar violão ?
- As modelos de passarela liberando a sensualidade...
- JackUm, o casca-grossa do momento...
- Elas também merecem espaço no reino da sensualidade...
- Alley Baggett, uma galeria da Bad Girl
- Julhia, com "h" mesmo e com o telefone dela...
- Ruth, a mais nova e linda "Batidora" da rede.
- Calendário 2005 em arquivo zipado (salvar como)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:25 PM




Ataque à França
(Renato Machado)

Os críticos de vinho mundo afora, sobretudo nos Estados Unidos, descarregam as baterias contra os franceses, culpados da crise que atravessam. Não se prepararam para enfrentar os australianos, dizem. Sequer olharam para a Argentina, concorrente temível, e, como todo mundo, deixaram-se surpreender pelos chilenos de preço suave que invadiram os supermercados de Londres. É mais fácil comprar Novo Mundo, decidem. E como Robert Parker não vai à Borgonha, os compradores querem esquecer a França.

Não é assim tão simples. O consumo baixou para todos, mais ainda na França, porque as leis contra o alcoolismo pegaram a indústria de calça curta. Sem anúncio, fica quase impossível vender marcas, mesmo as de nome fácil de guardar. É justamente pelo sistema de denominação de origem, a AOC, tradicional rotulagem das garrafas, que os franceses estão sendo condenados. Complicado demais. Menciona nomes de lugares, vilarejos ou terrenos nem sempre familiares aos consumidores.

O método Novo Mundo, adotado primeiro na Califórnia e depois no Chile, na Austrália e na Argentina, é bem mais fácil. Identifica o vinho pelo nome da uva, que passa assim a ser o principal ou o segundo em importância, logo abaixo do nome do produtor. Assim, Beringer Chardonnay quer dizer um vinho da uva chardonnay feito pela vinícola americana Beringer, do Vale do Napa, na Califórnia. Da mesma forma, Terrazas Malbec quer dizer um tinto da uva malbec feito pela vinícola Terrazas de Los Andes, na Argentina. E assim por diante.

Essa fórmula direta abriu aos americanos a possibilidade do consumo em grande escala, o que não quer dizer conhecimento de vinhos. Para tomar vinho não é necessário conhecer a fundo o tema. O consumidor americano não tem muito tempo a perder. O conhecedor, esse sim, americano ou não, gastará boa parte do lazer buscando e fixando conhecimento, como se dá em qualquer disciplina.

Os regulamentos franceses emperraram as vendas porque de fato as denominações envelheceram. Muito chablis e muito bordeaux com o adjetivo supérieur foram vendidos nos anos 80 sem qualquer critério. Abusou-se dos nomes, aviltaram-se as marcas de origem. Os produtores modestos não puderam acompanhar a moda nem os investimentos que marcaram o consumo de qualidade.

Mas a tentativa de opor o vinho de elite, que seria o francês, ao vinho de consumo geral, que seriam os do Novo Mundo, é equivocada. Há vinhos de elite e genéricos em ambos os mundos. Cabe ao consumidor fazer aos poucos a seleção, e os críticos ainda não se deram conta desse poder. Essa seleção pode mostrar mediocridade em australianos e qualidade em antigas denominações francesas. É só comparar um chardonnay australiano e um chablis comum. O que conta é o produtor.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:03 AM




MANTRA

Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Tudo ou espada
Pode ser o que se for livre do temor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare


Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do templo espiral

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do templo espiral

Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal

Adeus dor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare


(Arnaldo Antunes - Nando Reis)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:39 AM




O essencial
(Dapieve - O Globo)

O aparecimento do primeiro dos três volumes da autobiografia de Bob Dylan, "Chronicles", duas semanas atrás, causou um tremendo alvoroço lá por cima. É natural. A pessoa física Robert Zimmerman, de 63 anos, afinal, nem de longe é tão profusa quanto a persona artística batizada em honra ao poeta galês Dylan Thomas. Um pouquinho antes, porém, foi publicado pela mesma Simon & Schuster outro livro ainda mais revelador.

"Lyrics / 1962-2001" traz, como o nome diz, 352 letras escritas por Dylan. Tem formato grande, capa dura, 610 páginas e, embora seu preço oficial seja de US$ 45, a Amazon o está vendendo por US$ 30,60. Dá menos de R$ 130, incluído o frete. Caro? Só se você for daqueles que acham natural empatar mil pratas num tênis. Você pisa no tênis, Dylan pisa em você. Tornamo-nos um cocô diante de seu universo poético.

Na sua "Autobiografia precoce", o russo Eugênio Evtuchenko avisou logo de cara: ?A autobiografia de um poeta são seus próprios poemas. O resto é suplementar?. Portanto, "Chronicles" é o suplementar e "Lyrics" é o essencial, a verdadeira autobiografia do cara que fugiu de casa, visitou Woody Guthrie no hospital, cantou no mesmo comício em que Martin Luther King disse ter um sonho, desdenhou os Beatles, casou com uma coelhinha da "Playboy", trocou o violão pela guitarra, o judaísmo pelo cristianismo e vice-versa.

Não há textos nas orelhas de "Lyrics", apenas o aviso: -Esta coleção contém as letras de Bob Dylan, de seu primeiro álbum, "Bob Dylan", até "Love and theft", de 2001. Também não há texto na contracapa prateada. Nem nenhum estudo introdutório ou coisa parecida lá dentro. Só as letras, divididas pelos discos em que apareceram (mais "letras adicionais" do período). Isso se dá, creio, não por causa da simultaneidade de lançamento com o primeiro volume de "Chronicles", mas simplesmente porque elas se bastam.

Nas suas memórias, Dylan pode fabular à vontade, rever posições, omitir fatos, esconder-se. Nas poesias de "Lyrics", não. Elas vêm sendo fixadas, inapelavelmente, desde 1962. São polaróides da sua cabeça em seu tempo. Portanto, dizem mais sobre o artista do que qualquer autobiografia (ou biografia, lógico). A vida se torna, então, uma humilde nota de pé-de-página à obra. Vagar pelas páginas de "Lyrics" é conhecer Dylan, o século XX, é avaliar a extensão da influência de um no outro. Não é pouca.

Quando Caetano Veloso grava "It's alright, ma (I'm only bleeding)" e batiza o álbum com um trecho ("A foreign sound") de versos ("Então, não tema se ouvir/ Um som estrangeiro para o seu ouvido") da canção de Dylan, está dando um depoimento eloqüente sobre a importância da obra do americano para algumas de nossas melhores cabeças. "Faroeste caboclo", de Renato Russo, apenas para citar outra, era um tributo às longas e picarescas sagas dylanianas, como "Lily, Rosemary and the Jack of Hearts".

Esta música quilométrica está incluída no meu álbum favorito de Dylan, "Blood on the tracks" (1975). Olhe a beleza, "sangue nos caminhos" ou "sangue nas faixas". Por vias transversas, este disco também está no ponto de partida de todo o projeto "Chronicles". Ao escrever textos para as reedições remasterizadas dele, de "The freewheelin" Bob Dylan e de "Oh mercy", o poeta se entusiasmou e decidiu escrever toda a sua autobiografia.

"Blood on the tracks" é um disco particularmente tempestuoso. Três de suas faixas usam fenômenos climáticos para descrever estados de espírito ou situações conturbadas: vento ("Idiot wind"), tempestade ("Shelter from the storm"), chuva ("Buckets of rain"). O disco seguinte, "Desire", bem ou mal abriria com um furacão: o boxeador injustiçado ("Hurricane"). E o outro ainda, ao vivo, tiraria seu nome ("Hard rain", chuva forte) de uma canção antiga ("A hard rain's a gonna fall"). Na verdade, o recurso recorrente à natureza trai uma espécie de romantismo tardio em Dylan. Pense em "Blowin? in the wind", claro.

Talvez por seu romantismo ser pós-bomba atômica, é de uma tremenda acidez. "Idiot wind" diz "vento idiota, soprando pelos botões de nossos casacos/ Soprando pelas cartas que escrevemos/ Vento idiota, soprando pela poeira em nossas estantes/ Nós somos idiotas, babe / É incrível que consigamos nos alimentar." Brrrr . No quesito desilusão, gosto em especial de "Don?t think twice, it's all right": "E não faz sentido você acender sua luz, babe / Eu estou no lado escuro da estrada/ Apesar disso, eu gostaria que houvesse algo que você fizesse ou dissesse/ Para tentar me fazer mudar de idéia e ficar/ De qualquer forma, nós nunca conversamos muito/ Então, não pense duas vezes, está tudo bem."

Desde que "Lyrics" chegou, e algum dia alguém há de conseguir descrever a alegria de se encontrar uma caixinha da Amazon esperando pela gente em casa, o tenho usado meio como um oráculo, meio como as tábuas da lei, sei lá. Abro ao acaso e cato uma gota de sabedoria, beleza ou, por que não?, de incerteza. Agora, por exemplo, página 470, "Man of peace": "Olhe pela janela, baby , há uma cena que você vai gostar de ver/ A banda está tocando "Dixie", um homem tem sua mão estendida/ Pode ser o Führer/ Pode ser o padre local/ Você sabe que às vezes o Diabo vem como um homem de paz."

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:28 AM


quinta-feira, outubro 21, 2004




Masturbadoras do mundo, uni-vos!

Olha a situação. Você está no quarto quando ouve a maior gargalhada vinda da sala aonde seus familiares estão reunidos. Alguém grita Ô Marcela, acho que o cachorro tá mastigando alguma coisa sua. Você se levanta pensando essa porra desse cachorro deve estar comendo minha plataforma de novo e, quando chega lá, uma mistura de constragimento trágicômico toma conta do ambiente. O que o cão está estraçalhando amarradão não é sua plataforma, mas seu Ultra Super Vibro 2000, aqueles com as dimensões iguais as do Dirk Digler do Boogie Nights. Resumindo, ele tá com seu vibrador na boca. Ugh!
Frente a essa situação você tem poucas opções. Pode abrir seu estojo de maquiagem portátil como se fosse o intercomunicador da Entreprise, dizer tire -me daqui Scotty! e tentar evaporar para o hiperspaço. Ou pode contestar com cara de sonsa Isso não é meu. Aliás eu não tenho cachorro. Nem irmão. E vocês não são meus pais! O que está acontecendo? Como vim parar aqui??? e sair correndo pela porta em dasabalada correria gritando. Ou na pior das hipotéses, você pode ficar tão vermelha que vai parecer que está com o unifome da Ferrari, daí almaldiçoar todas as gerações daquela peste pulguenta boba alegre e finalmente terá que assumir que todos na sua família agora sabem de um segredo que você julgava ser só seu: você se masturba! E com apetrechos, ainda por cima!!

Provavelmente vai preferir implodir se transformando em anti matéria do que ter que encarar de novo seus familiares depois desse incidente horroroso. E o pior vai ser aquele sentimento de injustiça que dá lá no fundo do âmago do seu ser pensando que quando seu pai acha uma revista de sacanagem do seu irmão, lhe dá até parabéns. Já quando é com você..
Isso é meio injusto mesmo. Mas as meninas são meio travadas pra falar disso abertamente como os homens. Eu não sei qual é a origem disso... Pô, quando a gente é adolescente, ouvimos aquelas lendas de que vamos ficar cegos, cheios de espinha e com o peito empedrado. E ignoramos. Mas as meninas nem correm esse risco. Porque elas ficam tão tímidas?
Um cara bate uma punheta porque ele está excitado. Tá ali, literalmente a mão..então, porque não? Já muitas meninas, para isso, parecem terem que se engajar numa facção a favor dos direitos do clítoris para então conquistar o livre arbítrio sobre seu corpo para então pleitear o luxo do gozo irrestrito sem ônus a sua reputação.

Falando sério: só uma menina consegue transformar algo tão básico, primitivo e natural quanto a masturbação em uma forma de emancipação emocional.

Não que elas não façam, imagina. Mas elas não lidam com isso do mesmo jeito despachado com que o homem geralmente o faz. Os homens por exemplo podem dizer que foram descabelar o palhaço com o ensaio da Rita Cadillac (que disposição!) em altos brados no meio do trabalho. E ainda usam termos escrotos como descabelar o palhaço pra mostrar que mas que não estão nem aí mesmo.

Mas e as mulheres? Alguém conhece algum termo popular para siririca? Já viu alguma se regojizar com as amigas com uma G Magazine na mão? Também, com um ensaio do Vampeta...só se for pra entrar em depressão!

Cara, e quando você cita a masturbação das mulheres como prazer solitário ??? Eu já vi uma ter um escâdalo por causa disso! Parece que isso remete imediatamente a mulher encalhada, que tá faltando homem na despensa da casa dela. Parece que cai uma carga de culpa na cabeça delas que nem uma bigorna da Acme na cabeça do Coyote do Bip Bip.
Daí ficam aquelas sexólogas, cheias de dedo (sem trocadilho), tentando explicar que é isso é natural, faz parte de uma fase importante de descoberta do corpo, que toda mulher tem que entrar em contato com seus desejos se tocando nas partes íntimas...

A verdade é que nós homens estamos acostumados a todo mundo saber que quando a gente está no banheiro escovando os dentes por mais de quinze minutos, é por que estamos exercitando nosso direito de ir e vir. Nem adianta encher o saco. Mas no caso de uma menina, acho que ela prefere que achem que ela está cortando os pulsos do que se masturbando.

O mais surreal é que toda menina parece ter uma opinião sobre isso. Juro que já vi uma menina discordar sobre o assunto. Tipo naqueles programas adolescentes que perguntam Quem é a favor da masturbação, levante a mão... que não estiver usando . Como alguém pode ser contra? Eu não sou mulher, nunca vou entender...


(Rolinha e 02 testículos)

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:38 AM


quarta-feira, outubro 20, 2004



O eterno poeta Torquato Neto
(Pepe Chaves)

O poeta tropicalista Torquato de Araújo Neto, alcunhado pela mídia da época de ?anjo tropicalista? é autor das mais espetaculares letras da MPB. Natural de Teresina/PI, Neto deixou a terra natal após uma viagem de quatro dias de ônibus, com destino à cidade do Rio de Janeiro. Na bagagem, muito sonho e, principalmente, muitas letras para a galera tropicalista baiana que já se encontrava ?acampada? no Rio. E não deu outra: Torquato Neto passou instantaneamente a ser parceiro de vários compositores que fizeram acontecer a música brasileira na virada dos anos 60 para 70, seja pelos cabeludos baianos ou por "mauricinhos cariocas".

Soube seduzir seus vários parceiros musicais pelas inovações de suas letras, altamente evoluídas para os processos de composição daquela época. Seus escritos, geralmente tocavam em assuntos fora do convencional e do banal, evidenciando temáticas que ainda não haviam sido abordadas em canções. E assim seguia o intrépido anjo tropicalista: quebrando padrões técnicos das regras de composições musicais, chocando com algumas de suas colocações mais diretas e abusando de suas fabulosas e inteligentes metáforas.

Torquato trabalhou também como colunista humorístico no diário Última Hora, onde pôde extravasar sua ironia, abordando e satirizando alguns temas polêmicos para aqueles tempos. Super aculturado, Torquato gostava de explanar sobre todos os assuntos possíveis, desde artes, comportamento, política, música, etc. Foi vítima da depressão e como conseqüência, mergulhou nas bebidas e nas drogas, chegando a ser internado diversas vezes no sanatório carioca de Engenho de Dentro.

Era tido como "trágico" e até como "catastrófico" pelas pessoas que o conhecia. Seu comportamento instável o levaria a cometer suicídio no dia 10 de novembro de 1972, data em que completava 28 anos de idade. Conta-se que, ao chegar em casa vindo de uma festa comemorativa com amigos da música, Torquato abriu o gás do bujão e dormiu eternamente.

PARCERIAS - Ainda em vida, legara seus sempre originais versos ao casamento com canções de compositores como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Capinam, Tom Zé, Rogério Duarte, Rogério Duprat, Edu Lobo e tantos outros. Muitas de suas parcerias foram cantadas pelos brasileiros, sem sequer, saberem que era de sua autoria, dentre elas, a famosa "Cajuína", em parceria com Caetano Veloso. Vale ressaltar, que além dos compositores originais de tais parcerias, muitas de suas canções vieram à tona através de diversos interpretes do primeiro escalão da MPB: desde sua ascensão como letrista no final dos anos 60, até então.

Para se ter uma idéia disso, vale lembrar que mesmo postumamente, Torquato Neto continuou compondo. Ou seja, ao se ter as letras por ele deixadas, estas puderam ser musicadas por compositores como Sérgio Brito, da banda paulista Titãs. Com isso, o compositor Torquato se mostra vivo através do trabalho que deixou. Brito teve a felicidade de musicar uma de suas letras póstumas, isso ainda no final dos anos 80 a qual dizia: ?Você me chama, eu quero ir pro cinema, você reclama, meu coração não contenta. Você me ama, mas de repente a madrugada acabou. Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder?.

FENÔMENO - E um fenômeno incrível se deu agora neste ano na MPB, quando uma mesma letra de Torquato Neto recebeu duas versões musicais diferentes. Trata-se da ?ufológica? canção Daqui pra lá [abaixo], que retrata a história de um pacato cidadão que um dia foi levado por um disco e não quis mais voltar para ?o asterisco em que vivemos?. Esta letra foi inicialmente musicada por Sérgio Brito e se encontra gravada no CD A maior banda da última semana dos Titãs (independente, 2001), repetindo então a parceria Sérgio Brito/Torquato Neto. Mais eis que, dois anos depois, Fagner e Zeca Baleiro também resolvem musicar a mesma letra no CD ?Raimundo Fagner e Zeca Baleiro? (Indie Records, 2003), compondo a versão, Baleiro/Fagner/Neto para ?Daqui pra lá?, completamente adversa àquela dos Titãs. Vale dizer que, ambas versões souberam passar um interessante clima "ufológico profético" nessa letra, sobretudo na versão de Baleiro e Fagner. Eles deram um ar mais ?apocalíptico? ao recado que o emigrante terráqueo teria enviado num espaçograma inelegível aos seus coplanetários: ?Terramarear atenção! Fica a morte por medida, fica a vida por prisão. Terramarear atenção! O futuro é hoje e cabe na palma da mão?.

Trouxemos abaixo, a belíssima letra de forte conotação extraterrestre, Daqui pra lá, escrita por este incrível piauiense chamado Torquato Neto, que um dia disse: ?Eu sou o que eu sou, pronome pessoal e intransferível, do homem que iniciei na medida do impossível?.

Daqui pra lá
(Torquato Neto)

Era um pacato cidadão sem documento,
Não tinha nome, profissão, não teve tempo,
Mas certo dia deu-se um caso
E ele embarcou num disco
E foi levado pra bem longe
Do asterisco em que vivemos.

Ele partiu e não voltou,
E não voltou por que não quis,
Quero dizer: ficou por lá,
Já que por lá se é mais feliz,
Mais feliz...

E um espaçograma ele enviou
Pra quem quisesse compreender,
Mas ninguém nunca decifrou
O que ele nos mandou dizer:
"O futuro é hoje e cabe na palma da mão.
Terramarear, atenção!
Fica a morte por medida, fica a vida por prisão?.

Para azar de quem não sabe e não crê
Que se pode sempre a sorte escolher
E enterrar qualquer estrela no chão
Vietvista visão:
?Terramarear, atenção!
O futuro é hoje e cabe na palma da mão.
Terramarear, atenção!
Fica a morte por medida, fica a vida por prisão?.

Cogito
(Torquato Neto)

eu sou como eu sou

pronome pessoal intransferível

do homem que iniciei na medida do impossível

eu sou como eu sou

agora sem grandes segredos dantes

sem novos secretos dentes nesta hora

eu sou como eu sou

presente desferrolhado indecente

feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou

vidente e vivo tranqüilamente

todas as horas do fim.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 4:01 PM





A nova morte de Vlado
(Zuenir Ventura - O Globo)

Ainda bem que o Exército divulgou outra nota desautorizando a primeira, onde classificava de revanchismo o que era informação e tentava manter uma desmoralizada farsa que foi montada há quase 30 anos ? a de que Vladimir Herzog não fora morto, mas se suicidara no DOI-Codi de São Paulo, a sinistra usina de tortura da ditadura militar. A versão oficial era ilustrada com uma foto dele pendurado pelo pescoço, mostrando que se enforcara com o cinto do macacão com que estava vestido. Em 1978, a Justiça já havia rejeitado a mentira, condenando a União. Mas fez isso baseada em indícios; faltavam as provas visuais.

De repente, surge o desmentido fotográfico vindo do próprio ?porão do regime?, como os torturadores chamavam o lugar. Um ex-cabo que participava do esquema retirou as fotos dos arquivos do Comando Militar do Planalto e encaminhou-as à Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, de onde foram parar no ?Correio Braziliense?, que as publicou domingo (O GLOBO as republicou na segunda). Nelas, Herzog aparece completamente nu, aviltado, tentando esconder o rosto. Sem macacão, sem cinto, sem nada, coberto apenas de humilhação e vergonha.

De novo o passado bate à porta para atormentar a memória de nossas Forças Armadas e, como sombra insepulta, cobrar satisfação e esclarecimento. É o famoso eterno retorno do que foi reprimido ou mal resolvido. Não adianta. Como ensina a psicanálise, o que foi recalcado acaba voltando com mais força. Só há um remédio: admitir o erro e expiar a culpa. Justamente o que o Exército não fez na primeira nota, mas acabou corrigindo na segunda.

Ao afirmar que o assunto não fora abordado de forma ?apropriada? e lamentando a morte de Vladimir, a versão final do Exército faz supor que o assunto internamente ainda divide opiniões, mas em compensação não permite que essas divergências se transformem em manifestações políticas da caserna.

Prevaleceu assim o bom senso, até porque não há como negar fatos como os contidos no relatório publicado pelo mesmo ?Correio?, revelando que um pouco antes da morte de Vlado 47 militantes políticos haviam morrido no DOI-Codi paulista.

Clarice Herzog nunca teve dúvida ? por intuição ou por saber o que acontecia. No dia em que lhe comunicaram que o marido se suicidara, ela ligou para um amigo dizendo aos prantos: ?Mataram o Vlado, mataram o Vlado?. Agora, ao fazer o reconhecimento das fotos, ela reviveu de novo o martírio do pai de seus dois filhos: ?É horrível vê-lo assim, sofrendo tanto constrangimento?. Foi como se Vladimir tivesse sido morto de novo.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 9:54 AM


terça-feira, outubro 19, 2004




'Campeonato mundial de sexo' desafia proibição em Varsóvia

UOL - Os organizadores de uma feira erótica na Polônia prometeram nesta quinta-feira desafiar a proibição determinada pelo prefeito de Varsóvia e seguir em frente com a competição em que se destacará a mulher que conseguir fazer sexo com o maior número possível de homens.

O "Eroticon", festival com quatro dias de duração e que foi inaugurada nesta quinta-feira na capital polonesa, planejam organizar a competição para as mulheres, apelidada de "campeonato mundial de sexo", apesar da ordem da prefeitura de suspendê-la.

"A competição será realizada", disse Krzysztof Garwatowski, porta-voz dos organizadores, que aparentemente contam com a publicidade gerada pela polêmica para atrair público.

"No ano passado, a feira teve mais de 11 mil visitantes. Com toda a publicidade que o prefeiro gerou para nós, esperamos nos sair ainda melhor neste ano", disse Garwatowski à AFP.

O gabinete do prefeito informou na véspera que contactou o escritório do ministério público de Varsóvia, denunciando os organizadores do evento, a editora de uma revista para adultos, de proxenetismo, crime passível de até três anos de prisão.

"Nós não estamos desobedecendo a lei. Não vemos qualquer razão para deixarmos Varsóvia só porque um funcionário municipal não gosta do que fazemos", disse Garwatowski.

Ele disse que os organizadores irão processar o prefeito Lech Kaczynski (extrema-direita) por difamação.

"Não temos nada a ver com prostituição", disse o porta-voz.

Durante vários dias, grandes pôsters de publicidade foram colocados nas ruas de Varsóvia, anunciando a quebra do "recorde mundial do sexo".

A Polônia, que tem uma população 90% católica, é um país conservador, mas pornografia e serviços sexuais são vendidos abertamente.

Realizado num centro de exposições perto de Varsóvia, a quinta edição do festival anual Eroticon inclui cerca de 20 estantes que oferecem filmes pornográficos, livros, lingerie e shows eróticos.

N.E: na foto acima a garota vestida de brasileira "a caráter" é
Mayara Rodrigues, que participou do evento e conseguiu a marca de 633 homens em sete horas de competição. Um amigo que a conheceu e se apaixonou por ela ficou muito chateado quando soube quem era, o que fazia e o que fez tal criatura... Coisas da vida, gira o mundo seu Raimundo !

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:38 PM





FOSI, o site argentino, está disponibilizando vários ebooks (livros digitais)
junto com sua seção de cursos e manuais. Prato farto para quem entende espanhol.
Há algumas preciosidades por lá, coisas raras e de difícil acesso...
Desde poesia, ensaios e artigos a cartas históricas. Vale o clique !

*Publicado por Dhuvi-Luvio 12:00 PM





A alma não existe
(Darlene Menconi - Revista Isto É)

Certa vez, a escritora Raquel de Queirós justificou seu ateísmo dizendo que a culpa não era sua. ?Deus me deu pouca fé?, explicou. Do mesmo mal padece o físico e escritor Marcelo Gleiser, que, apesar de jovem, é uma das principais vozes da divulgação científica. Tanto que recebeu, das mãos do ex-presidente Bill Clinton, um prêmio por sua dedicação ao estudo e à pesquisa em cosmologia. De origem judaica, Gleiser frequentou a sinagoga quando pequeno, mas não achou inspiração nas tábuas divinas.
Aos 45 anos, e há 22 anos vivendo nos EUA, ele não perdeu o sotaque carioca. Muito menos o prazer em buscar respostas para os mistérios do universo, da vida e da mente. Conforto e paz de espírito ele afirma encontrar na natureza, no amor e nos filhos, de 15, 11 e oito anos. Eleitor de John Kerry, a quem doou dinheiro para a campanha, Gleiser não aposentou os planos de retornar ao Brasil. Professor de física e filosofia natural de uma das mais conceituadas faculdades americanas, a Dartmouth, em New Hampshire, ele ganhou dois prêmios Jabuti por seus livros sobre o universo e o embate entre ciência e religião, um de seus assuntos preferidos. Gleiser acaba de escrever, em inglês, um romance sobre o astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), que conviveu com o italiano Galileu Galilei, condenado pela Igreja por defender que o Sol, e não a Terra, era o centro do universo. ?Sou profundamente místico?, diz Gleiser, cujo hobby é a pesca com isca artificial (fly fishing). ?É uma atividade zen, em que é preciso estar em contato com a água, o céu, o peixe e o sol?, explica o físico, que falou a ISTOÉ antes de embarcar para uma série de palestras no Brasil.

ISTOÉ ? Por pressão religiosa, algumas escolas do Rio de Janeiro não
ensinam a teoria da evolução, na qual humanos descendem de macacos.
Qual sua opinião sobre isso?
Marcelo Gleiser ? É um absurdo. Em Kansas (EUA), houve muito debate sobre
isso e se decidiu que a teoria da evolução seria ensinada junto com o texto bíblico, como uma alternativa. Depois de dois anos, eles reverteram a decisão e voltaram a ensinar a teoria da evolução como a única válida para descrever como os animais evoluíram na Terra. O Estado de Ohio vive discussão parecida. Não se pode apresentar religião como a descrição científica do mundo. Isso é o que se fazia
há 500 anos. É justamente contra esse dogmatismo da Igreja que Galileu lutou.
É perigoso usar como científico qualquer texto religioso criado para servir de parâmetro ético e moral das pessoas.

ISTOÉ ? Qual a linha que divide ciência e religião?
Gleiser ? Elas são complementares. A ciência se propõe a descrever o mundo natural, com a maior precisão possível. Não se propõe a ser bengala espiritual. Se alguém querido morre, ela não tem nada a dizer. Nisso, a religião é imbatível. Essa é a razão pela qual, mesmo numa sociedade tão tecnológica e científica, ainda existe tanta gente religiosa. O ser humano é um ser espiritual. As pessoas vão em massa às igrejas, sinagogas e mesquitas procurar consolo, espírito de comunidade e fraternização. Já a ciência é uma narrativa que evolui. Sua função é descrever o mundo e explicar nosso papel dentro dele.

ISTOÉ ? Sendo assim, sempre haverá meias-verdades?
Gleiser ? O universo em que um cara do século XVI vivia, quando a Terra era o
centro de tudo, é diferente do século XVIII, quando o Sol já era o centro, e é
diferente do nosso universo, que não tem centro e se expande em todas as
direções. Não há verdades finais em ciência. O mundo está sempre se transformando. Acho possível encontrar espiritualidade na descrição científica
do mundo. Sou do time do (Albert) Einstein, que dizia que esse questionamento sobre o desconhecido é essencialmente espiritual. Não significa acreditar numa entidade sobrenatural controlando o mundo. Ou na existência da alma e de outras coisas além das leis da natureza.

ISTOÉ ? Na sua opinião, não existe alma?
Gleiser ? Eu adoraria ter alma e, quando meu corpo pifasse, poder renascer em outro corpo. Histórias de espiritismo, de vida após a morte e as várias versões das religiões para isso são mecanismos que criamos para lidar com nosso problema mais fundamental, que é a mortalidade. Vários amigos espíritas dizem que a maneira científica de pensar o mundo é apenas uma. Existem outras. Usar a ciência para justificar a existência ou não da alma nunca vai dar certo. No século XVII, o que se chamava de eu, a pessoa, vinha da alma. Quando a pessoa morria, a alma ia embora e o corpo ficava. Toda a noção de ser humano era relacionada à existência ou não dessa faísca divina. Aristóteles achava que a alma ficava no coração, assim como os egípcios. Não se sabia que o centro era na cabeça. Hoje, a gente sabe que não tem alma e que o cérebro é um organismo extremamente complexo.

ISTOÉ ? Como se pode ter conforto diante dessa visão?
Gleiser ? Ninguém aceita a mortalidade. O que a gente faz é se contentar com explicações e se encantar mais ou menos com as possibilidades sobrenaturais. Tem aqueles que se encantam muito e vão a terreiros de macumba, recebem espírito, etc. E tem os que se encantam menos, como eu, que não acreditam nesse mundo paralelo. A questão entre ciência e religião é parte fundamental do meu próximo livro, um romance histórico baseado na vida do astrônomo alemão Johannes Kepler, que viveu no início do século XVII. Ele é famoso por descobrir que as órbitas planetárias são elípticas e não circulares. Sua vida é um dos episódios mais fascinantes da ciência. Ele tinha um pé na Idade Média e seus misticismos, e outro na modernidade e na revolução científica. O livro conta a história de sua vida, em uma Europa imersa no caos, dividida por guerras religiosas entre católicos e protestantes, bruxas sendo torturadas e queimadas, Galileu julgado pela Inquisição na Itália. De muitos modos essa realidade retrata os dias atuais, com disputas religiosas, intolerância e iniquidade social.

ISTOÉ ? Como é possível comparar os dias atuais com a Idade Média, quando as disputas acabavam
na fogueira?
Gleiser ? Por volta de 1600, a Europa estava dividida entre protestantes e católicos. Entre os protestantes, brigavam luteranos e calvinistas. As pessoas morriam feito moscas. No século XVII, a Igreja Católica tinha muito poder na Itália e algum na Alemanha e na Boêmia, parte do que é hoje a República Tcheca. Quem tinha terras, dinheiro e poder eram barões e condes protestantes.
Havia uma disputa de fundo religioso que na
verdade era pelo controle das terras. Agora é o cristianismo contra o islamismo. Temos os EUA como potência imperialista tentando impor seus valores morais. Parece uma cruzada ideológica, mas é uma tentativa de colocar pé firme no Oriente Médio, não só em Israel, mas numa potência como o Iraque, onde está o petróleo. Por trás dos grandes conflitos religiosos há sempre o engenho político e econômico.


ISTOÉ ? Qual o efeito da intolerância no pensamento científico?
Gleiser ? Um exemplo importante é o que chamo das ?três origens?, do universo, da vida e da mente. Todas as religiões, de uma maneira ou de outra, têm respostas para essas perguntas. A mais conhecida, que vem do Velho Testamento, é a criação do mundo e a idéia da alma, que dá consistência ao espírito. Diferentes religiões têm diferentes explicações. Todas, por natureza, são inflexíveis. Não se pode questionar a palavra divina. Isso é o dogma da religião. A informação vem de cima para baixo, não tem conversa. Os padres, sacerdotes, rabinos e monges são intérpretes da verdade divina. Na ciência, a estrutura é horizontal, o conhecimento pode ser descoberto por qualquer pessoa e, em princípio, há um fórum para discutir idéias. Quando um cientista tem uma idéia sobre a origem do mundo, ele ou ela escreve artigos e vai a conferências nas quais busca provar sua veracidade. Se for provada errada, joga-se a idéia no lixo. Existe uma evolução construtiva do saber.

ISTOÉ ? Seria possível explicar fatos religiosos como o dilúvio e a Arca de Noé?
Gleiser ? Acho perfeitamente razoável tentar justificar fatos bíblicos usando
a pesquisa científica. Afinal de contas, os livros da Bíblia foram escritos por
pessoas que relatavam uma história, carregada de simbolismo. O grande
perigo é usar textos religiosos como científicos. Se alguém fala que está
escrito na Bíblia que o mundo tem 6.775 anos porque ali foi a gênese e
Abraão foi o primeiro patriarca, isso é um erro, obscurantismo. A Terra tem
em torno de 4,6 bilhões de anos. Não há dúvida disso.

ISTOÉ ? Mais de 90% do universo é composto de uma força misteriosa.
Será que Shakespeare estava certo ao dizer que ?há mais coisas entre
o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia??
Gleiser ? A chamada energia escura passou a dominar o universo há mais ou menos cinco bilhões de anos. Ela não tem um papel na origem do cosmo. Essa descoberta foi em 1998 e é um ótimo exemplo de como as coisas mudam. Foi uma surpresa para todo mundo. Não sabemos o que é essa tal energia escura, nem como será o futuro do universo. O paradoxo é que a natureza é muito mais esperta do que nós. Quanto mais se sabe, mais há o que descobrir. Outras perguntas surgem, e é isso o que torna a ciência emocionante. Não há uma reta final, só a contínua busca pelo conhecimento.

ISTOÉ ? Só que a ciência também virou um ramo de negócios, com lucratividade
e retorno financeiro.
Gleiser ? É importante separar ciência das aplicações tecnológicas da ciência. A nanotecnologia, a biotecnologia, a microeletrônica, o GPS, os celulares cada vez mais incríveis, a internet, tudo isso é aplicação da ciência para o mercado econômico. O mecanismo que gera esse tipo de aplicação não tem
nada a ver com a exploração da natureza. São universos diferentes. Essa apropriação da tecnologia pelo mercado é um lado da ciência, e é filosófica e culturalmente menos interessante do que o lado da ciência que gera conhecimento sobre o mundo e as pessoas. Quando falo do romantismo do cientista, falo do lado explorador, de pessoas que se confrontam diariamente com o não-saber. Somos os descobridores da natureza, os que vão ampliar as fronteiras do mundo. E olha só quantas fronteiras têm sido descobertas através de telescópios, microscópios, mundos antes invisíveis. Há uma beleza, uma simplicidade e mesmo uma elegância com que a física descreve a natureza.

ISTOÉ ? E por que é tão difícil entender o que dizem os cientistas?
Gleiser ? O mesmo princípio usado para fazer pizza serve para descrever como nascem as galáxias. E também para explicar como uma patinadora dá piruetas
no gelo. Ela começa com os braços estirados, traz os braços para o peito e gira
mais rápido. É o mesmo princípio que explica como se gira a massa da pizza no dedo para ela ficar achatada nos pólos e se alongar no equador, e é assim que nasceu o sistema solar e as galáxias. Não tem poesia e elegância quando se consegue descrever tantas coisas diferentes com as mesmas idéias? O que falta no ensino da física é mostrar sua relação com o mundo em que se vive. Quando se escreve uma fórmula no quadro-negro, ninguém dá bola. Informar o público é fundamental para nossa sobrevivência em um contexto global cada vez mais dependente da ciência e suas aplicações.

ISTOÉ ? Um dia vamos habitar outros planetas,
como Marte?
Gleiser ? Não há outra saída. A Terra tem os dias contados. Vivemos num sistema que tem uma
estrela, o Sol. Como toda estrela do universo, um dia ela vai pifar e se tornar uma gigante vermelha. Vai inchar, engolfar Mercúrio, Vênus e chegar pertinho da Terra. Isso ainda demora bilhões de anos, mas em centenas de milhões de anos, o Sol vai tornar impossível a vida na Terra. A verdade é que, se a gente ainda existir até lá, de forma a preservar o que somos, temos que colonizar o sistema solar e a galáxia. O destino do ser humano é se espalhar pelo universo. Muito possivelmente, há outras regiões, outros universos, separados do nosso.

ISTOÉ ? Existe vida em outros planetas?
Gleiser ? São centenas de bilhões de galáxias como a Via Láctea. Pense no universo como uma bolha de 13,8 bilhões de anos-luz.
Não sabemos o que existe fora da bolha. Não significa que não existam outras galáxias, estrelas e sistemas solares onde não enxergamos. Em cosmologia, se diz que vivemos num multiverso. Nossa bolha é só uma de infinitas outras. Parece até um conto do Jorge Luis Borges (escritor argentino), são milhões de mundos pululando por aí.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:14 AM




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