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Deixa com o Beque !!

quarta-feira, agosto 31, 2005



Elefante na Sala
(Fernando Gabeira)

Vamos supor que um repórter vindo de um país nebuloso e etéreo -a "Neverlândia", digamos-, liberto das amarras do concreto, se dedique apenas às metáforas e às análises, com seus precários meios, para explicar em sua terra a confusão que se passa aqui.

Não interessam tanto à "Neverlândia" os milhões de dólares que voam para as Bahamas. O que são dólares? Por que tanto flutuam?

O repórter esbarrou com o que procurava: palavras. Seu caderno está cheio de anotações sobre a operação esquenta-esfria. Não é notícia em sua terra o caminho do dinheiro dos fundos de pensão para contas bancárias offshore. O que ele tem de explicar é como juntou essas palavras, como uma simples mudança térmica produz tantos recursos. As leis da física seriam as mesmas daqui? O grande problema real desse mundo é precisamente uma operação esquenta-esfria. Mas ela se realiza num paradigma controlável pela ciência da "Neverlândia". Como a operação esquenta-esfria produz fortunas, não seria o caso de enviar especialistas para comprovar que nem todos os planetas se regulam pelas mesmas leis?

No caderno, está também alguma coisa como molho de tomate com ervilha. Ele anotou isso. Um prefeito determinou que a merenda escolar em sua cidade usasse molho de tomate com ervilha. Volta e meia, essas palavras voltavam à sua cabeça, mas não tinha ainda como apresentá-las; faltava um gancho, algo que conferisse ao molho de tomate com ervilha uma atração para os leitores de lá.

De repente, as ervilhas que o intrigavam voltam aos jornais e o repórter sente a excitação de ter algo a informar. Ervilhas vingadoras. Elas rodaram pela sua cabeça, brincaram de esconde-esconde e eis que reaparecem puxando o pé do prefeito.

Seu despacho não poderia apenas tratar de física ou de palavras que se escondem atrás do toco para se vingar. Era preciso mais sofisticação. Num momento desses, é difícil: os intelectuais estão em silêncio. Eles supõem que não entendem mais o mundo e agora vão puní-lo com seu silêncio.

Algumas brechas se abrem. Um cientista político achou a causa da crise que as pessoas presas à matéria relacionam com o desvio de milhões de dólares. A crise estava na virada de uma emissora de televisão. Quando começou a falar de crise, a crise apareceu no céu azul, como reaparecem agora as ervilhas voadoras.

Uma filósofa também quebrou o silêncio. O repórter não sabia como localizá-la, mas buscou nos livros algo que pudesse orientá-lo. Como explicar na "Neverlândia" que uma equipe de governo tenha desviado milhões e milhões? As pessoas aqui também começaram assim, refletiu ele. No principio, homem e mulher viviam no paraíso, imersos na inocência original, até que uma serpente lhes ofereceu a maçã do pecado.

Aí, finalmente, chegou a alguma coisa. O dinheiro foi produzido por uma operação térmica chamada esquenta-esfria. Houve uma crise produzida pela emissora de televisão, e os inocentes, imersos no paraíso, foram seduzidos por um grupo de tucanos que ofereceram a maçã da corrupção. Tucanos? Assim são chamados. O editor certamente vai reclamar: serpente ou tucano?

Nessas horas, quando falam com os editores, os repórteres dizem as piores coisas para si mesmos. Afinal, o que esse cara quer? Num lugar onde se esquenta e esfria, onde as ervilhas viajam pela memória em missão de vingança, é preciso que haja algumas referências para que se avance. Queria ver esse puto explicar o que se passa aqui unicamente com as referências da "Neverlândia". Com a análise do cientista político, ele pode ver, pelo menos, como se constrói a crise pela TV.

O chororô que existe no país, sem o cientista, é absurdo. Com ele, fica mais claro. O presidente chorou na TV e disse que sua mãe nunca perdeu as esperanças. E a TV mostrou, com todas as cores, que ela perdia a esperança. Bingo.

Outro dia, o presidente foi à TV para explicar como se meteu nessa confusão. Olhava para cima -seriam os pássaros?- e disse que foi traído. Não há referências sobre isso. As pesquisas o levaram à história de um cara chamado Tiradentes, que perdeu a cabeça lutando contra o poder colonial. Foi traído e não traiu jamais a independência de Minas Gerais.

Como explicar que um traído não perca a cabeça e os traidores sim, já que a história nos remete ao oposto? Como explicar que tenham comido o fruto do pássaro-serpente e não sejam expulsos do paraíso?

De nada servem os livros. O repórter começa a entender o silêncio dos intelectuais. Seu plano de trabalho ainda está nebuloso e etéreo como o país de onde veio. Alguém lhe disse que mataram o elefante, mas não conseguem tirá-lo da sala. Daria uma boa frase inicial para sua história.

Mas quem matou o elefante? -perguntariam os leitores de "Nervelândia". Há dados indicando que morreu de seus próprios humores internos, de seus ácidos e venenos. Para os leitores de lá, a idéia de morte, gravidade, finitude, é tão vaga. Do imenso corpo do elefante existe um legado: a memória. Por isso talvez chore tanto. Não porque morreu, mas porque se lembra.

O repórter manda seu despacho sob o signo da desconfiança. E se as leis elementares que vislumbrou tiverem sido rompidas? A todo instante, ouve o presidente dizer: nunca na história, jamais em todos os tempos, ninguém mais do que nós.

Só os historiadores do futuro, escavando o Palácio do Outono, vão nos dar as verdadeiras metáforas deste mundo que acaba. Ou começa? Retratos do avião, cartões de crédito, caixas de charuto, gravações, gravatas, muitas gravatas, desenhos para matar tempo nas reuniões oficiais.

Durante muitos anos, a "Neverlândia" mandará seus repórteres a essa terra. O que queriam dizer com tantos dólares na cueca? Por que dormem quando são interrogados? O que diria o velho que dirige a Câmara se completasse suas frases? Por que decidiram comer um pato do palácio? Porque desenham estrela vermelha no jardim (pesquisa Burle Marx)? Por que todos têm um advogado? Como chegaram à formula do protesto a favor? Da indignação temperada?

Eram os deuses astronautas? O repórter lembrou-se com carinho de sua primeira matéria, a longa entrevista com o cozinheiro de Mao Tsé-tung. O editor, no fundo, tem razão: ainda há muito que descobrir.

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:38 AM


terça-feira, agosto 30, 2005



Pergunta 1 - Como você estaria se fosse um dos donos do BMG, aquele banco investigado pela CPMI por ter emprestado R$ 41 milhões para o "publicitário" Marcos Valério e cujo lucro cresceu 205% ano passado graças ao bom relacionamento com o PT, que possibilitou a aquisição da carteira de crédito consignado (também conhecido como o popular "desconto em folha") dos velhinhos do INSS?

Pergunta 2 - Como você estaria se fosse o presidente do Atlético Mineiro, time que ocupa a 20ª colocação no atual campeonato brasileiro de futebol, com 13 derrotas em 22 jogos e 71% de chances de ser rebaixado para a 2ª divisão?

Pergunta 3 - Como você estaria se ocupasse os dois cargos descritos acima ao mesmo tempo?

Bem, Ricardo Pentagna Guimarães ocupa e parece estar muito bem, obrigado. Tanto que segundo um spam que circula hoje pela internet, Ricardo teria gasto mais de R$ 1 milhão só na festinha de aniversário de 18 anos de seu filho, o felizardo Flavinho Guimarães (foto acima), em uma comemoração que teria contado com show ao vivo da banda de axé Jammil, além das presenças de Daniella Sarahyba, Dani Bananinha e Sandrinha (do programa Caldeirão do Huck) como "acompanhantes" devidamente uniformizadas com camisetas que estampavam a foto de Flavinho sobre os silicones.

De acordo com o boato, Flavinho teria ainda recebido um automóvel BMW X5 (R$ 300 mil) do papai, e graças a seu enorme charme e sex appeal, teria estreado o mimo dando uma carona para Dani Bananinha no fim da festa.

Bem, boato é só boato mesmo, mas se alguém quiser tirar suas próprias coinclusões, as fotos da festa para a qual você não foi convidado(a) estão
neste link...

PS - Festa de mais de R$ 1 milhão com show da banda Jammil? Cadê a CPMI que não faz nada com essa prova claríssima de superfaturamento?

*Publicado por Dhuvi-Luvio 11:40 AM



Saiam já daí, indecorosos !
(Clóvis Rossi - FSP)

O Brasil não seria o país da "enrolation" se não discutisse um assunto absurdamente inútil, que é saber se houve ou não "mensalão" para parlamentares.
Menos mal que um deputado, Júlio Delgado (PSB-MG), ponha as coisas no devido lugar ao dizer: "Qual a diferença entre um deputado que recebeu recursos mensalmente e outro que recebeu para pagar despesa de campanha? Nenhuma. Ambos ficam comprometidos com o governo".
Só faltou acrescentar que é irrelevante, absurdamente irrelevante, saber se os congressistas se venderam em suaves prestações mensais ou em uma, duas ou três tacadas só. Em qualquer caso, está caracterizada a falta de decoro e, por extensão, a necessidade de cassar os mandatos dessa turma toda.
Ou por acaso é indecoroso receber "mensalão" mas é decente vender-se em apenas uma ou duas parcelas? Seria risível discutir a questão não fosse este o país da permanente tentativa de trambique.
Houvesse uma liderança congressual minimamente séria, em vez de Severino Cavalcanti, e o processo de cassação já estaria concluído. O crime está provado, pela confissão de quem pagou (Delúbio Soares e Marcos Valério) e pelo reconhecimento de quem recebeu (os 18 da lista que o relator Osmar Serraglio promete fazer). Não há defesa para essa gente. Podem alegar o diabo como motivo para receber o dinheiro. Continuarão sendo indecorosos -e, portanto, obrigatoriamente cassáveis.
Todo o resto é embromação, é argumento de advogado de porta de cadeia, o que não deveria caber no Congresso Nacional houvesse um mínimo de vergonha na cara da maioria dos parlamentares.
Pode, sim, haver crimes adicionais, mas, como não é possível cassar mais de uma vez o mesmo deputado, que sejam eliminados já aqueles sobre os quais está tudo comprovadinho da silva e que prossigam as investigações, até para saber de quem veio o dinheiro do "PTduto".

*Publicado por Dhuvi-Luvio 10:55 AM




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